O silêncio nem sempre é dos Inocentes!

Há silêncios incómodos mas necessários, há os convenientes e os comprometidos, motivo pelo qual não se podem quebrar, refiro-me naturalmente à classe sindical, pautada pelo seu caráter reivindicativo e contestatário, mas com o Governo da Gerigonça raramente os vemos ou ouvimos, como que querendo passar a imagem de que está tudo bem, extraordinário, um paraíso talvez! Um pacto de governança!

Mas, infelizmente não é essa a realidade que encontramos e refiro-me concretamente à área da Educação, em que diariamente nos chegam, enquanto deputados, casos e mais casos problemáticos, constatados nas múltiplas visitas que efetuamos aos estabelecimentos de ensino e nas audiências que concedemos. As queixas da falta de funcionários é uma constante, os cortes nas transferências de verbas para os Agrupamentos de Escolas vai ao ponto de não haver dinheiro sequer para as necessidades mais básicas, como sejam, a água, luz e telefones, já para não falar nas urgentes obras de manutenção que vão sendo adiadas. Tudo em nome do défice!

Mas, há uma situação particularmente chocante, no que concerne aos alunos com Necessidades Educativas Especiais, em que os assistentes e técnicos especializados são manifestamente insuficientes e deixo aqui uma palavra de apreço e encorajamento a todos os profissionais do nosso sistema educativo pelo trabalho e dedicação que prestam aos nossos jovens, em que a diferença de alguns representa tantas vezes um impulso e um fator de motivação para a missão de educar e formar a personalidade própria de cada um deles.

Este contacto diário com a realidade tem-nos mobilizado cada vez mais, utilizando os meios de que dispomos, desde as perguntas diárias ao Ministério da Educação até ao requerimento da presença urgente do Sr. Ministro no Parlamento, para exigirmos explicações, mas até agora sem retorno. Das duas uma, ou os responsáveis, nomeadamente alguns sindicatos não andam no terreno e não têm a perceção desta realidade, ou então estamos perante uma ocultação deliberada. Não quero com isto dizer que só este ano é que existem problemas, evidentemente que nos anteriores anos letivos também os houve, mas com uma diferença, nessa altura tínhamos os dirigentes sindicais todos os dias na rua, nas escolas, na comunicação social a denunciar os problemas e agora desconhece-se o seu paradeiro.

Mas os alunos, esses não são sindicalizados e é essencialmente pelos seus direitos, sem esquecer naturalmente todos os outros agentes educativos que temos que pugnar. Pois o sucesso da escola passa pelo envolvimento e pelo comprometimento de toda a comunidade e não apenas de alguns! Porque o silêncio nem sempre é dos Inocentes!

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