Onde poderia estar um Hospital… em Rio Tinto

Grandes obras nascem de grandes oportunidades e, por vezes, o destino reserva-nos coisas positivas ou simplesmente, outras não acontecem. Se não tivesse surgido a oportunidade de se construir um aeroporto como o que temos no Porto, ou mesmo uma obra magnífica como a casa da Música, não seria hoje que essa oportunidade surgiria. Às vezes uma grande obra nasce da coincidência de fatores convergentes, por vezes, de um simples ato ou uma feliz conversa no tempo certo e em “boa hora”. Tal não aconteceu na altura em que se projetava o Hospital Universitário, que apenas por infeliz influência, não aconteceu onde deveria ter nascido, sendo deslocalizado para um terreno distante, pouco acessível, com dimensões exageradas, enfim, todo um conjunto de características que não favorecem a bonita obra que nasceu, com enorme potencial, mas claudicante dos aspetos já descritos. Bem tentei mudar o rumo do destino, mas sozinho, sem influencia política (infelizmente preponderante na sociedade que vivemos), incapaz de contrariar outras opiniões, a obra nasceu magnífica, noutro local para outro tipo de utentes.

Tudo isto porque, este domingo, passei junto dos terrenos abandonados do antigo mercado de Rio Tinto junto à bonita zona da Quinta das Freiras, com uns colegas meus, que elogiavam aquilo em que se tem transformado Rio Tinto, e questionaram-me porque estava com aspeto abandonado, o referido terreno. Lá contei a minha história com os vários projetos por vezes evocados sobre o que lá se iria construir. Torres de bairros? (espero que nunca) parque municipal? Centro cultural? um hospital? E aqui deixei a minha opinião do que gostaria que tivesse sido construído: um hospital, publico ou privado, com toda a lógica, com uma linha de autocarro a passar de um lado, comboio por trás e metro pela frente. Que outro local em Rio Tinto ou até mesmo no concelho de Gondomar tem a feliz convergência de tantos transportes? Nenhum! Acrescendo o facto de que se situa paredes meias com a cidade do Porto e com vias de comunicação de excelência para todo o país. Questionava-me, o meu amigo, presidente da Junta de Rio Tinto na altura, Dr. Marco Martins, se justificaria ter um hospital privado em Rio Tinto? Acho que o sucesso do Hospital de Alfena, construído num local sem acesso de transportes tão significativo, com uma população local muito menor, num local em que nada previa ter êxito, responde bem a esta questão. Claro que sim Sr. presidente existem estudos que bem comprovam a viabilidade de um projeto destes em Rio Tinto e, pessoalmente, naquele lugar, que assim continua abandonado, ferindo a paisagem, quiçá à espera de uma oportunidade, ou uma feliz coincidência, que valorize a cidade e as suas gentes.

Até lá vamos vivendo.

Até breve, estimados leitores…

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