Oportunidade perdida

O Governo apresentou na semana passada o seu Plano Nacional de Reformas. Em grande parte, estamos a falar mais ou menos da mesma coisa que o Governo já tinha apresentado no ano passado. Onde podíamos ter um plano a sério para mudar alguma coisa em Portugal, acabámos com quase cem páginas recheadas de lugares comuns, poucas soluções e nenhumas mudanças. Esta nova maioria tem apenas um objetivo: manter tudo exatamente como está. Chega mesmo a dizer que se arrepia quando ouve falar em reformas estruturais. E, assim, espera repetir exatamente os mesmos erros do passado, mas acreditar os resultados vão ser completamente diferentes. Não é apenas uma maioria imobilista. É também completamente irrealista.

Quando se leva em conta a evolução do crescimento da economia (que em 2016 foi menor do que em 2015), das exportações, do investimento e do endividamento público (que continua a aumentar, apesar de todas as promessas), é impossível não concluir o óbvio. Mais uma vez, o Governo está a desperdiçar um ciclo económico positivo para corrigir os desequilíbrios financeiros e as deficiências estruturais da nossa economia.

No ano passado crescemos menos do que a média europeia. Aliás, desde 1999 que todos os anos crescemos menos do que a média europeia. Enquanto não percebermos que só vamos viver melhor em Portugal quando resolvermos este problema, que só se pode distribuir mais riqueza se também se produzir mais riqueza, e que só haverá mais oportunidades se crescermos a sério, vamos continuar presos no mesmo ciclo vicioso, cujos resultados desastrosos já experimentámos vezes demais.

A receita deste Governo é fazer tudo para que pouquíssimos portugueses se apercebam disto, e da oportunidade que estamos a perder. Em vez disso, a sua prioridade é simples: manter o status quo e, consequentemente, o seu próprio poder. Para financiar isto, cativa a despesa, corta no investimento público e aumenta os impostos indiretos. Desde que as suas clientelas estejam satisfeitas, e que alguns acreditem na sua extraordinariamente eficaz propaganda, vai assegurando o seu presente no poder. O amanhã logo se vê.

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