Orçamento 2015

O orçamento entregue na Assembleia da República é um orçamento realista, responsável, certamente não isento de críticas, mas com a mesma certeza não é um orçamento eleitoralista.
Recordemos que, em 2009, o governo Sócrates, em ano eleitoral, fez trinta por uma linha para ganhar as eleições pela via orçamental: subiu os salários da Função Pública e baixou o IVA – o PS perdeu a maioria absoluta mas ainda assim conseguiu ser o partido mais votado. O país começaria com esse orçamento o caminho para a crise que rebentou nas mãos do mesmo PS em 2011. Tivesse Sócrates tido a sensatez de nesse ano apresentar um orçamento realista e responsável, provavelmente teríamos evitado o pior dos últimos três anos.
É preciso que a história não se repita e como tal um Orçamento de responsabilidade é o que o país hoje precisa. E ainda assim é possível fazer o retorno das pensões abaixo de 4600€, reformar o IRS tornando-o mais amigo das famílias e perspetivar o retorno de parte da sobretaxa de IRS em 2016 – que é aliás quando se apura o imposto a pagar.
Gostaríamos e mereceríamos, depois dos anos que passaram, ter mais alívio, nomeadamente ao nível dos impostos? Certamente que sim, mas quando a consolidação mostra que Portugal está na trajetória correta – a economia portuguesa crescerá ao ritmo da média europeia, com um défice abaixo do limite máximo pela primeira vez – a irresponsabilidade de outros seria agora terrível para o país.
Não nos devemos esquecer: o estado das contas públicas em Portugal é uma variável sensível que não deveremos desprezar nem tratar com irresponsabilidade. Foi isso que no passado nos levou a descarrilar com estrondo e Portugal não pode voltar a esse caminho. Em 2015 os portugueses verão os impostos sobre o rendimento e o consumo nos mesmos níveis dos anos que passaram e verão a economia em melhor estado o que até permitirá subir a receita fiscal. Ao mesmo tempo as famílias poderão descontar mais em razão da reforma do IRS o que significa que pagarão menos.
É este o caminho da responsabilidade. Saibamos percorrê-lo.
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