Orçamento de Costa rompe pelas costuras

1 – Ainda o Orçamento do Estado não tinha completado um mês sobre a sua entrada em vigor já se levantava um coro de vozes vaticinando a sua inexequibilidade, por se considerar que as projeções económicas em que ele se baseia não eram realistas. Mas à medida que o tempo vai passando, as vozes críticas têm vindo a aumentar, constituindo hoje uma sirene de alarme que poucos ousam contrariar.

A nível interno, quer o Banco de Portugal quer o Conselho de Finanças Públicas foram inequívocos ao considerar que as metas previstas no orçamento para o corrente ano eram excessivamente otimistas. No dizer destas entidades, nem o crescimento económico, nem a receita pública atingirão os valores previstos. De todo o modo, o Governo teima em reafirmar a sua fé naqueles indicadores macroeconómicos.

2 – É claro que não basta o otimismo governamental para alterar a realidade. E num curto espaço de tempo, quer o FMI – Fundo Monetário Internacional, quer a Comissão Europeia, secundada pelo Banco Central Europeu, vieram rever em baixa as perspetivas de crescimento da economia mundial e europeia, respetivamente, fazendo soar entre nós as campainhas de alarme. Hoje, só os lunáticos ousam contrariar as previsões dos mais credenciados analistas internos e externos.

Há mesmo quem diga que o próprio Ministro das Finanças já reconhece, em circuitos reservados, que vai ser necessário rever em baixa as metas orçamentais, e adotar medidas extraordinárias. Que é como quem diz, vêm aí novos cortes, novos aumentos de impostos, ou as duas coisas ao mesmo tempo. Ou seja, a fatura das promessas eleitorais do PS vai chegar mais cedo do que o esperado inicialmente.

3 – Paralelamente, começa a ser anunciada uma tempestade sem retorno no sistema bancário nacional. Para muitos, a rendição dos bancos portugueses passará pelo domínio absoluto dos grandes grupos financeiros internacionais, com especial destaque para os nossos vizinhos espanhóis. Para outros, o Estado não terá como escapar a uma intervenção de nacionalizações controladas e temporárias de alguns dos nossos bancos.

Tudo isto são profecias demasiado duras para que António Costa possa dormir descansado. E o desassossego será tanto mais penoso quanto se sabe que a maioria de esquerda já fez saber que não está disponível para subscrever novas faturas que penalizem os portugueses em geral, e os contribuintes em especial. Caso para dizer que António Costa precisa de muita luz para encontrar saídas limpas para tanto negrume. E será que a sua equipa está em condições de lhe iluminar o caminho?

, ,