Os analistas políticos e as “pitonisas” da TV

1 – O comentário e a análise tornaram-se em Portugal o “fast-food” do nosso quotidiano político. E no cardápio da oferta o que abunda em ilusão escasseia em seriedade. Quem não tem tempo para mais, come o que está à mão, sem preocupações de rigor ou de verdade. Para os cozinheiros e vendedores do “pronto a consumir” a única preocupação é assegurar o resultado imediato do seu negócio.

É este o cenário dominante da nossa paisagem mediática, sobretudo da televisão. Todos os dias nos servem comentários e análises da espuma dos dias que nunca resistiriam ao simples confronto de três questões. A saber: os pressupostos desta análise ou comentário são verdadeiros? Há aqui algum interesse pessoal ou de grupo encoberto? Quanto ganha e quem paga a este comentador?

2 – Vivemos num mundo dominado por interesses, onde “tudólogos” e “tachólogos” refinam a sua verbe, destilam frustrações, e semeiam a intriga. Sob o sacrossanto manto de “insuspeitas fontes” forjam os seus comentários sobre mentiras grosseiras, meias verdades escondidas, planos e intenções que só existem nas suas cabeças. Sem o menor escrúpulo, sem um pingo de vergonha.

Constroem o seu diário na vertigem das futilidades. Vivem no frenesim dos contactos, e nos encontros fugazes dos almoços e jantares de quem lhes sopra recados aos ouvidos. Não perdoam a quem recusa aparar-lhes o jogo, ou a alimentar-lhes a agenda. São verdadeiros saltaricos a borboletar entre gabinetes e escritórios, ou nos corredores da conspiração. E, todavia, vendem-se como figuras de Estado…

 3 – Não é preciso chamá-los pelos seus nomes. São sobejamente conhecidos pelo seu percurso político, profissional ou social. Mas o descrédito que semeiam na vida política faz destes profissionais da intriga verdadeiros snipers da democracia. É preciso dizer, alto e bom som, que estes, SIM, retiram à política o pouco que resta da sua nobreza e de serviço à comunidade.

Ninguém duvida que fazer política exige o conhecimento de umas tantas regras, e até o domínio de certos códigos para bem interpretar os comportamentos, anseios e reações das pessoas, dos grupos e das instituições. Mas há linhas e fronteiras que não podem ser ultrapassadas. Porque o que separa o legítimo do ilegítimo está muitas vezes apenas à distância do espelho da dignidade ou da desfaçatez.

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