Os campeões da defesa da democracia vão ficar calados?

Por Isabel Santos

1. Concordando ou discordando com Augusto Santos Silva, sempre reconheci nele um homem corajoso, sem medo de dizer o que pensa e de arriscar pisar a fronteira do politicamente incorreto. O domínio da direita sobre os programas televisivos de opinião há muito que se tornou notório. Quando as eleições legislativas se aproximam a passo largos, eis que somos surpreendidos com a rescisão unilateral, por parte da TVI, do contrato com Santos Silva. Sendo que até agora nada foi dito sobre o motivo de tal rescisão mas também não foi contrariada a tese de que se terá devido à crítica proferida pelo comentador, às constante mudanças de dia e de horário do programa, assumo, com espanto, esta explicação. Ao quadro de hegemonia ideológica instalada – que coloca em causa a pluralidade que se exige numa democracia – junta-se um incompreensível ataque à liberdade de expressão. Diante disto, ocorre-me perguntar: onde param aqueles que há alguns anos atrás falavam de claustrofobia democrática?

2. Aproxima-se a fase de apresentação das listas de candidatos a deputados à Assembleia da República. Antes disso, os partidos vão definindo critérios de formação das lista, programas eleitorais e alguns compromissos a assumir pelos respetivos candidatos. No meio das notícias sobre os anúncios dos diferentes partidos em relação a estas matérias, eis que deparo com a revelação de que o PSD pretende impor a renúncia de mandato aos deputados eleitos nas suas listas que entrarem em “persistente divergência com as orientações do grupo parlamentar”. Esta notícia faz-me perguntar se os dirigentes do PSD desconhecem a Constituição ou esta é para eles algo meramente instrumental, tal como as constantes violações da lei fundamental cometidas ao longo deste mandato foram indiciando. Gostaria apenas de lembrar que a Constituição diz que deputados exercem livremente o seu mandato. Algo que não combina com a imposição de uma obediência acrítica ao diretório partidário que o PSD pretende instalar silenciando as expressão de opiniões divergentes. Volto a perguntar: onde param aqueles que há alguns anos atrás falavam de claustrofobia democrática?

3. É curioso acompanhar os anúncios das nomeações para os diferentes postos diplomáticos. Se houvesse dúvidas sobre a vitória do PS esta análise esclareceria tudo. Quando o barco começa a afundar… Não é preciso dizer mais nada!

4. Aproveito esta oportunidade para desejar a todos/as os/as leitores/as umas boas férias!

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