Os cofres cheios do Governo

Por José Luís Ferreira

Os portugueses andam há quatro anos a ouvir falar de “sinais positivos”, da “luz ao fundo do túnel”, de “milagres económicos” e do “agora é que vai ser”, “agora é que é”.

O Governo diz que a recuperação económica tem sido notória. A estabilidade política, social e económica está agora à “prova de fogo” anuncia o primeiro-ministro, lá longe, no Oriente, talvez pensando que tais “verdades” não cheguem cá. Os cofres estão cheios, diz a Ministra das Finanças, numa insólita postura de abastança, perante a indignação de milhares de pessoas que passam grandes privações materiais no nosso País.

De repente, desligamos a televisão e afinal a economia continua parada, o desemprego continua a subir, a pobreza continua a atingir cada vez mais pessoas, nas famílias, o dinheiro para o mês acabou antes do fim da terceira semana e os cofres… estão vazios. O dinheiro não é nosso.

Afinal os cofres estão cheios mas com dinheiro da dívida. Mas pior, porque essa almofada financeira implica um custo com juros que o Governo ainda não divulgou.

De facto, como esse dinheiro, obviamente, não está nos cofres, mas sim depositado, significa que, pelo menos no que se refere ao que está depositado a juros negativos, como sucede com o que está depositado no BCE (- 0,02%), nós estamos, não só a pagar juros pelo empréstimo que pedimos e que “enchem os cofres do Governo”, mas também a pagar juros pelo depósito de dinheiro que não é nosso.

Como o Governo continua sem dizer nada, ainda que, sobre o assunto, tenha sido por nós confrontado no plenário da Assembleia da República, continuamos sem saber quanto é que nos está a custar esta almofada. O que sabemos segundo as notícias, é que em finais de janeiro deste ano, o Governo português teria praticamente metade dessa almofada, cerca de 20 mil milhões de euros, depositados no BCE que como se sabe está a praticar taxas negativas, o que significa que estamos a pagar para ter esse montante depositado no BCE.

Ora, a estes custos que estamos a suportar para ter o dinheiro, que não é nosso, depositado no BCE, teremos de somar o que estamos a pagar de juros da dívida.

São entre sete a oito mil milhões de euros de juros que anualmente estamos a pagar pela dívida. Um montante superior ao Orçamento anual do Serviço Nacional de Saúde e o dobro do que foi o investimento público em 2014, cerca de quatro mil milhões de euros, o mais baixo das duas últimas décadas.

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