Os escandalosos lucros da Galp Energia

Foi com apreensão, ou talvez não, que há poucas semanas, os portugueses ficaram a conhecer os fabulosos lucros da Galp Energia. Esta empresa registou em 2015 um aumento dos seus lucros superior a 70%, mais concretamente 71,5% relativamente a 2014.

Vamos aos números, em 2014 a Galp Energia apresentou lucros na ordem dos 373 milhões de euros e, em 2015, os lucros atingiram 639 milhões de euros.

Ora, quando nos deparamos com o fabuloso volume dos lucros da Galp Energia, não precisamos de fazer grande esforço para percebermos porque é que a baixa histórica do preço do crude não se fez sentir nos preços que os consumidores pagam pelos combustíveis. A razão é simples, a baixa histórica do preço do crude que temos vindo a viver nos últimos tempos, acabou por ser praticamente toda absorvida pelos respetivos acionistas.

Assim, ganham ou engordam mais os acionistas, mas perdem os consumidores, perde o País, perde a nossa economia e perde o nosso aparelho produtivo.

É claro que estes milhões de lucro vão ser canalizados em forma de dividendos para os acionistas da Galp Energia, com os quais, aliás, a administração se comprometeu a aumentar até 2018, 20 por cento desses valores.

Ao mesmo tempo, assistimos à degradação dos direitos e dos rendimentos dos trabalhadores da Galp, como de resto mostra a tentativa por parte da administração em acabar com a contratação coletiva naquela empresa.

Como se a imoralidade fosse pouca, há ainda outro elemento que, sobre esta matéria, interessa trazer para discussão, é que a tributação fiscal dos lucros da Galp Energia, só é feita no nosso país, de forma parcial, uma vez que a sede fiscal desta e de outras grandes empresas, está na Holanda. Desta forma temos que a Galp beneficia de absurdas vantagens fiscais em prejuízo do estado português.

Esta imoralidade e injustiça gritante, reclama, a nosso ver, não só, uma intervenção por parte do Governo no sentido de, junto da Comissão Europeia, procurar soluções que impeçam que as empresas desloquem a sua sede fiscal para outros países com o único propósito de não pagar impostos, como também que o Governo reconsidere a necessidade de recuperar o controlo público do sector energético, incluindo a prospeção, exploração, refinação do petróleo e do gás natural.

Esta é, parece-nos, a única maneira de conseguirmos promover o desenvolvimento e o crescimento económico do nosso país, proteger o ambiente e colocar este importante sector ao serviço dos interesses do País e não da especulação.

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