Os “tiques” do PS

Pois é, o PS, via presidência da Assembleia Municipal (AM), decidiu agendar e realizar uma AM ordinária para o passado dia 25 de Abril. Apesar das reservas e dos argumentos invocados, essencialmente pela CDU e CDS/PP, a verdade é que o Sr. Presidente da AM, em reunião de líderes, se mostrou insensível à argumentação destes dois partidos e a sessão foi marcada para o feriado. Designadamente, o PS foi insensível ao facto de ser feriado. O PS foi insensível ao facto de se tratar de uma efeméride com inúmeras iniciativas partidárias. O PS foi insensível ao facto de ter aprazado para a mesma tarde uma cerimónia formal evocativa da revolução de Abril, com intervenção dos partidos representados na AM. Conclusão: A CDU recusou participar da sessão. O PSD não compareceu igualmente. O CDS, por respeito ao órgão, participou da sessão, não sem que, em futuras eventuais novas posições similares do PS, pondere assumir-se politicamente de forma bem mais assertiva.
Todos sabemos que o PS logrou alcançar uma maioria absoluta na AM e que isso lhe traz naturais e óbvias prerrogativas. Contudo, e no contexto de uma democracia adulta, as maiorias políticas não são tudo, havendo sempre espaço e razão para o diálogo e para o consenso. É dentro desta perspetiva que entendemos as reuniões de líderes anteriores a cada AM. Uma ideia de participação e de colaboração na prática política, apesar das diferenças.
Por assim ser não aceitamos o discurso paternalista veiculado pelo Sr. Presidente da AM em ofício resposta (do qual nos deu formal conhecimento), endereçado à CDU pela decisão desta de não participação naquela AM, como se o PS, na sua “prática magnânima”, fosse o campeão da democracia em Gondomar. O CDS/PP de Gondomar, não precisa, não quer e, portanto, não aceita qualquer paternalismo do PS. Até porque a democracia não se reforça com “tiques” de reserva mental, em que se institui uma pseudo-interação entre as forças partidárias representadas na AM para in fine se fazer como o PS quer.
O CDS respeita, como sempre respeitou, as maiorias democráticas. O que não pode é compactuar com visões casuísticas de uma prática política, em que tudo se justifica em função dos interesses do momento bem como da maioria de que se dispõe e, muito menos, que se altere, como o PS fez, uma prática de há anos que muito ajudou a sedimentar enquanto partido na oposição, e que se prendia com a potenciação, em reunião de líderes, dos maiores consensos possíveis nas questões essenciais, independentemente das maiorias existentes. Desta feita, o PS prescindiu de defender o consenso preferindo o “peso” da maioria absoluta de que dispõe. Enfim, esperemos que, para bem da democracia em Gondomar, este mau “tique” de se fazer política assim se tenha implodido como único exemplo que tenha sido e que tudo volte à normalidade na boa gestão da relação entre os partidos representados na AM de Gondomar.

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