Dossier fiscal de Passos pode penalizar nas eleições?

1 – Os anos eleitorais são ricos na divulgação de casos mais ou menos escandalosos, que quase sempre têm por protagonistas figuras de primeiro relevo da vida política nacional. Por regra são os líderes dos partidos que mais ficam expostos ao escrutínio implacável dos media que, aproveitando a efervescência pré-eleitoral, não poupam nada nem ninguém.

Alguns órgãos de comunicação trabalham meses a fio para o “congelador”, investigando casos que, na hora da sementeira eleitoral, saltam para a praça pública a ritmos assustadores. Muitas vezes o “trabalho sujo” de recolha de dados é feito por pessoas estranhas às redações, que os soltam quando estes mesmos entendem ser a hora certa.

2 – O caso dos impostos à segurança social que Pedro Passos Coelho não pagou em devido tempo faz parte do lote dos “dossiers” de investigação da imprensa que vêm sendo trabalhados há meses. E, ao que consta nas tocas de conspiração jornalística, não ficará por aqui. Outros casos deverão saltar de novo para as páginas dos jornais.

Ninguém ignora que o trajeto profissional de Pedro Passos Coelho, desde que interrompeu a sua carreira de deputado, foi essencialmente nas áreas da formação profissional e na consultoria empresarial. Ou seja, em áreas que sempre tiveram por parceiros privilegiados entes públicos, dependentes, direta ou indiretamente, do Estado.

3 – Independentemente das verdades e falsidades destes filmes mediáticos urge perguntar: pode o líder do PSD ser fortemente penalizado nas eleições, por causa deste caso? Ninguém sabe. Nada de semelhante no passado serve para fundamentar uma antevisão com razoável segurança. Já houve casos em que as vítimas destas campanhas foram penalizadas, tal como houve outros em que saíram até beneficiadas – caso Sá Carneiro, por exemplo.

Mas há uma ferida a que Passos Coelho já não escapará: no imaginário do cidadão comum, o líder do PSD tornou-se mais igual aos “outros políticos”! Isto é, PPC perdeu a patine do homem acima de qualquer suspeita. Ora, o grande estrago desta campanha é que muitos portugueses o tinham na conta de um político diferente, nem que fosse apenas um pouquinho diferente. E, convenhamos, esta nódoa não é de pequena monta!

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