Parque Escolar: sua recuperação

Como todos sabemos ou, pelo menos, intuímos, o grau de educação de um povo é o grande trampolim para a potenciação das suas intrínsecas apetências de desenvolvimento e modernidade, devendo ser, por isso, a primeira das prioridades dos governantes, aos mais diferentes níveis, desse povo, dessa nação.

Considerando esta inatacável verdade, ficamos sempre profundamente angustiados quando percebemos que os representantes eleitos desse mesmo povo, não ousam dar o melhor de si para que as condições de ensino, sejam materiais, sejam pedagógicas, dos mais novos, correspondam aos padrões considerados adequados à melhor exponenciação dessas apetências.

Com efeito, o atual Executivo Municipal demonstra não cuidar da essencialidade de tão determinante vetor da atividade autárquica, pois permite que o ensino se cumpra em diferentes estabelecimentos do concelho, sem que estejam reunidas as oportunas, isto é, as mínimas condições físicas de uma aprendizagem apropriada contribuindo também, dessa forma, para as tantas dificuldades que denotamos em tantos jovens, em alterarem o paradigma redondo e nefasto de um percurso educacional sem sentido.

É exemplo de tal falta de empenho, a realidade latente na EB1 do Belo Horizonte, onde os alunos do 4.º ano continuam a ter aulas num contentor.

Sabemos das dificuldades existentes, uma vez que a escola tem apenas três salas de aula onde “funcionam” o 1.º, 2.º e 3.º anos, sendo patente uma enorme falta de espaço o que obriga a que o salão polivalente se “desdobre” em refeitório, ginásio, salão de convívio, salão de permanência no período pós-aulas, local onde acontecem as diferentes festas anuais como dia do pai, dia da mãe, etc. Apesar de assim ser e relativamente ao contentor, nada justifica que não se tomem medidas no sentido de obviar a tão anacrónica situação, impedindo que uma solução claramente temporária se eternize e inquine indubitavelmente a qualidade do ensino ministrado. Até porque se trata de um contentor amplamente degradado, contendo um sistema de ar condicionado tão barulhento que atrofia qualquer esforço de atenção á aula ministrada. As persianas estão quebradas, portanto sem funcionalidade. As idas à casa de banho, implicam que os alunos se sujeitem à chuva, ao vento, ao frio. A própria escola padece de degradação designadamente no polivalente onde o teto se encontra danificado pela humidade.

Este é unicamente um exemplo de vários que temos conhecimento no concelho com igual ingência de intervenção. Não é nossa intenção denegrir o trabalho de quem tem competências no pelouro da educação, mas antes alertar, clamar por tão grande ingência de resolução destas feridas que, a nosso ver, já não são aceitáveis num concelho que se quer moderno e a rumar para a modernidade.

Entendemos como muito importante a qualidade de Cidade Europeia do Desporto, contudo, tal qualidade só terá razão de ser se o essencial estiver, no mínimo, salvaguardado, e a verdade é que a realidade nos diz que nada de importante se nos mostra estar garantido, pelo que estaremos atentos à evolução de tão importante valência da actividade autárquica.

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