Passos & Portas? E que tal ter um pouco de decência?

Por Isabel Santos

Se o ridículo pagasse imposto, os cofres públicos estariam cheios com a contribuição deste Governo. Se precisássemos de exemplos do que há de mais deplorável no arrivismo político alcandorado ao poder, o triste espetáculo com que temos vindo a ser brindados seria adotado como um dos expoentes máximos

Só o sentimento de impunidade e a total falta de vergonha e da noção do que é ou deve ser a decência, conseguem explicar a atuação da dupla Passos & Portas.

Assistir ao anúncio da coligação PSD/CDS, para as próximas eleições, no dia 25 de Abril já é de si algo da mais descabelada desfaçatez e mau gosto. Assistir a esse número circense no dia em que, além da passagem de mais um ano sobre a revolução de 74, se celebraram os 40 anos da eleição da Assembleia Constituinte, tendo como personagens centrais os líderes dos dois partidos ainda no exercício das funções de primeiro-ministro e vice-primeiro-ministro deste Governo que ficará na história como aquele que promoveu mais violações à Constituição, até hoje, é o cúmulo do descaramento.

Como se tudo isto não bastasse, poucos dias depois, fomos brindados com a assinatura do acordo eleitoral acompanhada de uma encenada celebração da passagem do primeiro aniversário sobre a “saída da Troika”. Que belo espetáculo de contorcionismo!

A dupla que afirmou ir para além das imposições da Troika, os autores da crise política que forçou a sua “entrada” em Portugal, celebram agora a sua saída com pomposos discursos de inversão da realidade. Só pode ser um problema de esquizofrenia política..

Porque gritam missão cumprida? A que missão se referem? A de levar muito para lá do suportável os sacrifícios infligidos aos portugueses? A do crescimento do desemprego, do desmantelamento do estado social e do desbaratar dos ativos estratégicos nacionais?

Tendo em conta as metas do memorando e os indicadores conclui-se que: em 2014 o crescimento do PIB ficou-se pelos 0,9 quando a meta era de 2,4; o défice ficou nos 3,7% quando a meta era de 2,3%; a dívida chegou aos 130% quando deveria ter ficado pelos 115% e o desemprego esteve acima dos 13% – apesar da emigração, dos estágios, dos contratos emprego inserção – quando o estimado eram 12%.

Só podem estar a celebrar a progressiva destruição do país e o já anunciado plano de continuarem a cortar pensões e salários se por um desgraçado azar do destino voltassem a ganhar eleições.

Um pouco de decência não lhes ficaria mal!…

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