Pela defesa de um serviço público de transportes – um compromisso de sempre

A anulação do processo de “subconcessão” da STCP e Metro do Porto é, desde logo, uma derrota do Governo e do atual Conselho de Administração destas empresas, pois fracassaram nos seus objetivos de entregar aos grupos económicos e financeiros a prestação de um serviço de transportes públicos que serve milhões de utentes.

Contudo, apesar do Governo ter anulado este concurso, as consequências para as empresas envolvidas – Metro do Porto, EMEF e STCP – foram absolutamente nefastas sendo que, essas, não podem ser anuladas com a mesma facilidade.

No caso, a STCP é uma empresa que está há mais de um ano em autogestão, sem quaisquer objetivos, sem uma visão estratégica para o futuro, aguardando a chegada de um concessionário para que seja esse a tomar decisões.

Não obstante a recente autorização para a contratação de motoristas, o défice de motoristas é de tal ordem que no próximo mês, com o fim do período de férias e o início do ano escolar, o serviço de transporte da empresa certamente entrará em colapso.

É previsível que em setembro a taxa de serviços por cumprir passe dos atuais 30% para mais de 50%, pelo que todos os utilizadores deste serviço sentirão na pele a espera interminável pelo autocarro que os transporta de casa para o trabalho e vice-versa.

Conforme referiu, em nota de impressa, a Direção da Organização Regional do Porto do PCP, o Governo e o Conselho de Administração da Metro e STCP devem ser responsabilizados pelos prejuízos causados aos utentes dos transportes públicos, pela degradação das condições de trabalho nas empresas em causa e pelas oportunidades de desenvolvimento da rede pública de transportes que foram desperdiçadas.

Mais, é certo que a intenção do Governo é avançar com um novo concurso para a privatização da STCP e Metro do Porto, ou em conjunto ou em separado, pelo que as recentes declarações de membros do Conselho Metropolitano do Porto em defesa de um concurso, que afirmam pretender ser “diferente e melhor” contribuem apenas para centrar o debate público numa falsa solução, gerando ilusões junto daqueles que ainda possam acreditar na privatização como solução para os problemas existentes.

Não se deve desperdiçar esta oportunidade para tomar as medidas necessárias e urgentes para a recuperação destas empresas e arrumar, de uma vez por todas, com a intenção de as privatizar.

Pela nossa parte reafirmamos o compromisso de defender um serviço público de transportes e na continuação da luta contra o processo de privatização destas empresas.

, ,