Pela Humanidade

A passada noite de sexta-feira, 13 de novembro, deveria ter sido para todos uma véspera de fim-de-semana comum. Uma noite em que muitos se reúnem para comemorar, para alegrarem as suas vidas com amizade, cultura e muitas gargalhadas.

Infelizmente, não foi. Foi das noites mais chocantes dos últimos anos, foi uma noite de ódio, de violência, de morte.

E foi aqui tão perto.

Paris, a cidade das luzes, o berço do iluminismo, do intercâmbio cultural, do livre exercício das capacidades sociais e humanas. E é verdade que as coisas doem mais quando acontecem perto de nós, nos locais que identificamos, nos costumes que nós próprios temos. E esta noite doeu muito.

Não podemos contudo deixar que o ódio praticado por uma noite seja contagioso. Devemos conter a nossa raiva, a nossa inquietude e indignação. Devemos ser resilientes e não permitir que a vontade de quem pratica estes horrores seja instalada.

Claro que é necessário repensar algumas questões de segurança, mas não podemos por em questão a nossa humanidade, a nossa solidariedade ou o nosso amor.

O que nos distingue desses párias são os nossos valores e consciência social. É por isso que não podemos reagir da mesma forma: com revolta, com instigação à violência.

O nosso dever, como europeus, e em memória de quem foi vítima desses ataques é continuar a manter a nossa agenda política social, a receber quem foge das mesmas balas que mancharam esta sexta-feira.

Os refugiados que fogem, em desespero e sem alternativa, das calamidades praticadas pelo Daesh (o auto proclamado Estado Islâmico), fogem da tortura, da atrocidade, da morte. Se fecharmos as nossas portas, se nos escondermos no medo e na revolta, estamos a garantir a vitória destes párias.

Se elevarmos a nossa voz na defesa da vingança, do extremismo e da xenofobia, estaremos a eliminar séculos de desenvolvimento social e humano. Estaremos a enfraquecer a grande diferença entre nós e eles.

Devemos manter a nossa forma de estar, a nossa vida, a nossa humanidade. É a nossa obrigação receber quem foge da morte e sermos a última ajuda o último reduto que estes homens, mulheres e crianças veem em nós. Não podemos esconder a cabeça na areia e fazer de conta que nada se passa no mundo, ou que não temos nada com o assunto.

Temos, e não é possível fugir à nossa responsabilidade. Devemos isso aos séculos de luta para que a vida no nosso velho continente seja a que conhecemos.

Devemos isso às vítimas de sexta-feira. Devemos isso para que não tenham morrido em vão.

Liberdade, Igualdade fraternidade. Ontem e amanhã. Hoje e para sempre.

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