“Peso específico”

Apesar  de não ter responsabilidades primeiras nos ministérios da economia e finanças, a verdade é que se tratando de áreas muito sensíveis da governação com fortes repercussões na realidade social dos portugueses, jamais o CDS se colocaria por muito tempo, afastado de, pelo menos, poder opinar com algum efeito prático sobre tais matérias, sendo perfeitamente expectável que o seu líder viesse a tomar, como o fez, uma posição de força, caso a postura dos responsáveis do PSD se mantivesse sem qualquer boa evolução relativa considerando a práxis dos últimos dois anos.
Admitimos que o Sr. Dr. Portas poderia ter seguido caminho menos tortuoso designadamente ter primeiro procurado acertar posições com o Sr. Primeiro Ministro até porque, tendo-o feito à posteriori, logrou alcançar a sua  aquiescência num tão necessário reacerto da posição relativa de cada partido no seio da coligação. Desconhecemos contudo porque o não fez, se eventualmente o havia feito antes por via de outras dissenções e não obteve resposta condizente, considerando que desta feita lhe não restaria diferente solução que a mais gravosa. A verdade é que parece que ambos os partidos terão despertado para as suas reciprocas responsabilidades e a coligação se mostra muito mais assumida pelos dois, com todas as vantagens que o país só beneficiará.
E não se invoque no caso, a tão propalada, mas suposta apenas, exagerada proeminência do CDS na sua nova relação governativa com o PSD. Todos sabemos que o CDS tem vindo a assumir e a exercer uma posição de charneira na vida política portuguesa, exercício esse que lhe tem igualmente feito sobressair um enorme peso específico na sua relação com os restantes partidos do arco da governação. É que pesando o CDS 12% do eleitorado, peso este essencial para a conformação de maiorias governativas solidas, a verdade é que a sua força específica no computo das potenciais coligações, se amplia, se torna bem mais elástica, pois um não do CDS na constituição ou manutenção de uma coligação, apesar dos seus 12%, empurra para a oposição ou para fora da área do poder, partidos com bem mais de 30% de votos. Não é portanto a pura aritmética que determina a relação recíproca entre partidos de uma coligação mas sim a importância relativa de cada partido na garantia de sustentabilidade e eficácia da própria coligação. E neste contexto, o CDS assume uma importância tão elástica que só podia sair reforçado desta crise política ora finda.

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