Políticas de António Costa deixam Bruxelas em sentido

1 – Uma das grandes incógnitas que existia sobre o governo de António Costa, desde a sua estreia, era saber qual a estratégia que adotaria nas suas relações com Bruxelas. É bom recordar que, quer enquanto oposição ao governo de Passos Coelho, quer durante a campanha eleitoral, o líder socialista sempre disse que não aceitaria subjugar-se, obediente e acriticamente, aos ditames dos diretórios da União Europeia.

Em suma, Costa sempre prometeu respeitar os compromissos assumidos por Portugal em Bruxelas, mas sem abdicar de ser o próprio governo português a definir o rumo e as políticas que melhor entendesse para a defesa dos interesses nacionais. E se bem avisou, melhor tem cumprido esta estratégia, mesmo quando enfrenta o peso dos eurocratas, ou quando os seus pares da União parecem querer engrossar a voz em tom de aviso ou ameaça.

2 – Todos temos presente as mais ou menos veladas ameaças de Bruxelas, os mais ou menos sonoros avisos, e as mais ou menos confissões de ceticismo às políticas do atual governo. Foi assim durante todo o ano passado, e tudo parecia pendente de dois indicadores dominantes: o défice público, e o comportamento da dívida. Enquanto estes números não foram totalmente fechados, Bruxelas manteve o sobrolho carregado, e as ameaças sobre a mesa.

A verdade é que, contra ventos e marés, as políticas de António Costa permitiram que o défice orçamental ficasse substancialmente abaixo não apenas das previsões de Bruxelas, mas bastante aquém das suas próprias exigências. É certo que em boa parte por recurso a medidas fiscais extraordinárias, e ao garrote imposto pelo primeiro-ministro ao investimento público. Mas nada que os anteriores governos não tenham feito, desde há muitos anos.

3 – No que respeita à dívida pública, o sucesso é bem mais relativo, essencialmente porque os efeitos do modesto crescimento da economia estão longe de fazer frente ao peso dos juros que o país continua a ter de suportar. Mas ainda assim, há fortes razões para pensar que no ano em curso, e sobretudo no próximo, o crescimento deverá ser razoavelmente satisfatório, graças ao efeito dos fundos estruturais injetados na economia através do “Portugal 2020”.

Perante os dados em presença, sejamos justos e inteletualmente sérios: Costa tem cumprido o que prometeu no que respeita aos compromissos europeus, e demonstrou que não é necessário ajoelhar a Bruxelas. Tem sido firme, insubmisso, determinado, e resiliente perante o rumo que traçou. Tem a seu crédito os resultados conseguidos, e por isso bem pode dizer que pôs a União Europeia em sentido…

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