Populismos

Passaram mais quatro anos e, a verdade, é que não temos mais que concluir que foram mais quatro anos de oportunidades perdidas para Gondomar, uma vez que não foram tomadas quaisquer decisões estruturantes que pudessem obviar – ou, pelo menos, procurado obviar – àquelas que são as crónicas maleitas do concelho.

Gondomar há décadas que tem vindo a ser gerido por uma governação municipal “à vista”, isto é, uma governação eminentemente centrada nas necessidades do momento, absolutamente desinserida de qualquer enquadramento político pré-definido, portanto, através de medidas e investimentos soltos, sem interinfluências pensadas, sem a preocupação de salvaguarda de um fio-condutor que as torne sustentadas e sustentáveis. As consequências desta total falta de um “caminho” ordenador e minimamente projetado para o concelho, têm levado a que Gondomar permaneça subalternizado no cômputo da Área Metropolitana e não se desmarque daquele crivo perverso de não passar de um “dormitório” do Porto. Porque a falta de um projeto orientador leva, inexoravelmente, ao subterfugio e ao desperdício

O concelho tem-se perdido numa gestão facilitista, uma espécie de laissez faire laissez passer”, sem qualquer obstinação transformadora, como se os seus responsáveis de há muito tivessem deixado de acreditar na concernente capacidade de se mostrar uma comunidade ousada, inovadora e capaz. Daí esta inusitada postura de apenas promoverem a gestão do óbvio, abstendo-se de qualquer vocação de se apresentar ao nível, em concorrência saudável, com seus pares vizinhos.

Ora, e como é fácil perceber, Gondomar reúne imensas potencialidades, tanto geográficas como humanas, de se impor virtuosamente perante os seus vizinhos metropolitanos, decifrando ideias, escalando oportunidades, lançando parcerias, por forma a fazer esmorecer este iníquo epíteto de “dormitório”. Nada justifica que Gondomar continue a desprezar a sua intrínseca quota de protagonismo na modernidade e a prescindir de catapultar o seu coletivo para parâmetros de reconhecimento, no mínimo, ao nível daqueles seus pares.

Gondomar precisa de auto-estima, fazendo determinar o seu futuro com base nos critérios de felicidade em que acredita, afastando-se definitivamente das propostas populistas que o tem mantido num processo redondo e repetitivo, manifestamente desenquadrado de qualquer verdadeiro desenvolvimento.

Urge então que os gondomarenses avaliem o resultado das suas opções políticas municipais e alterem o paradigma, começando a dar voz a quem, por ter Gondomar no Coração, de há muito lhes entendeu as genuínas necessidades de progresso e felicidade.

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