Populismos

Todos sabemos que, por razões de salvação nacional, a atual maioria foi obrigada a assumir a governação do país, depois de o PS de José Socates ter deixado Portugal à beira de um enorme “ataque de nervos” e com o seu rating abaixo da fasquia de lixo. Apesar das dificuldades e convenhamos, de algum experimentalismo nem sempre bem-sucedido, a verdade é que a maioria que nos governa tem almejado redireccionar o país para caminhos bem mais enxutos e condizentes com os aplicáveis padrões internacionais de credibilidade.
Todo este acintoso esforço de credibilização da nação, aliás bem reconhecido por todas as instâncias internacionais, tem sido desenvolvido com o maior partido da oposição em sistemática critica, em quotidiano conflito com as opções do governo, como se tudo que o governo faça seja mau, exagerado e mal pensado.
Efetivamente o “luto” do PS pela derrota eleitoral de 2011 durou não mais que um ano, passando, a partir daí, a intervir na política portuguesa, como se nenhuma responsabilidade tivesse para com a herança da atual maioria, como se o PS estivesse fora do poder há vários mandatos.
Ora, tal postura leva-nos a tentar intuir se, de facto, o partido se regenerou entretanto, sendo hoje claramente diferente daquele da derrota de 2011.
Será que o PS fez a catarse da sua governação socrática e interiorizou o essencial daquilo que não pode voltar a ser feito, no futuro?
Será que o PS pensou a realidade presente e articulou o seu programa de ação em consonância, definindo-se genuinamente como uma verdadeira alternativa de governo?
Será que o PS se dotou de novos protagonistas, avessos a “traquinices” políticas e descomprometidos com os abusos da “geração” Sócrates?
Pois todos sabemos que não. Que o PS se limitou o substituir o seu secretário-geral mantendo, basicamente, a mesma praxis, as mesmas pessoas, os mesmos vícios. O PS contínua em igual senda de um populismo gasto e ultrapassado, prometendo dar o que o estado não tem, nada tendo aprendido com as sequelas desta violenta crise que muito ajudou a criar, mas que só ao povo coube e cabe ainda, pagar. Como é possível que o PS continue, apesar das constantes invocações nesse sentido, a recusar gerar consensos nas questões essenciais? Como é possível que, com esta crise, não tenha o PS definitivamente percebido o drama dos portugueses e, por isso, a necessidade de alterar a forma de fazer política em Portugal?
O PS ainda não percebeu que a política mudou. E se é verdade que nós, o povo, temos sofrido estupidamente com a estratégia de combate à crise mais, cada vez mais muitos de nós, até trememos, com a mera hipótese de o PS voltar ao poder nas próximas legislativas. Haja, então, responsabilidade.

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