Por Portugal

Mais um ano político chegou ao fim e, “a Geringonça”, lá se vai aguentando, independentemente dos imensos contra-sensos que a caracterizam. De facto, apesar de o primeiro-ministro ser do Partido Socialista (PS), quem realmente tem vindo a governar o País tem sido o Bloco de Esquerda (BE) e o Partido Comunista (PCP), partidos que têm sabido tirar proveito da sua importância relativa enquanto partes essenciais da atual maioria e garantes da tão procurada estabilidade governativa.

É claro que o tempo, em função desta governação insensata e populista, irá levar o país para mais um equívoco existencial, perturbadoramente responsável do nosso descrédito perante os nossos parceiros europeus, que cada vez mais se tornarão mais resilientes em voltar a acreditar na capacidade dos portugueses em se tornarem definitivamente numa nação respeitada e ciente das suas responsabilidades perante os compromissos que assume com a comunidade internacional.

Ainda não estamos no não retorno desta eventualidade, saibamos nós portugueses saber perceber que temos primeiro que saldar ou, pelo menos, tornar sustentável, a enorme dívida que constituímos para, então depois, pensarmos em reconduzir o país para os trilhos da efetiva melhoria da qualidade de vida dos seus cidadãos.

Ora, para que assim seja, urge que quem tem maior representatividade – PS e Partido Social Democrata (PSD) -, se assumam nesse nuclear papel e comecem a entender-se nas questões estruturantes, mostrando aos portugueses que são eles a sua única prioridade. Porque a verdade é que qualquer um destes partidos tem preferido tantas vezes privilegiar as suas respectivas estratégias internas atirando amiúde o interesse nacional para segundo plano. E, enquanto assim for, seremos todos nós a sair sempre mais indefesos perante tamanha irresponsabilidade.

A política é a arte da partilha e da solidariedade. Um partido político é apenas um meio, jamais um fim em si mesmo. Portanto, clama-se para que os líderes partidários se compenetrem da dignidade do seu estatuto e da premência de darem tudo de si em prol da nação. Portugal não pode continuar a assistir a esta frustrante realidade de cada um destes partidos mitigarem o conceito de responsabilidade, conforme se encontrem no poder ou na oposição.

Agora que o “defeso” está a chegar seria fundamental que os dirigentes de cada partido, mormente dos dois principais, utilizassem algum do seu tempo a fazer germinar uma praxis mais consentânea com as expectativas de quem, no quotidiano, já dão o máximo de si para só poderem ter o mínimo.

Aos dirigentes políticos compete, à falta de outras prerrogativas, garantirem, pelo menos, o decoro.

Boas férias.

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