Porque (con)vencer não é para todos

Viva Desporto - outubro 2017“Talento sem trabalho significa zero”, quem o diz é Cristiano Ronaldo. The Best pela quinta vez. Igualando o outro senhor presente na imagem, o eterno Lionel Messi. Cristiano é um orgulhoso português que banalizou a história. Sim, banalizou mesmo a história. Quando é considerado o melhor do mundo na sua profissão, já todos encaram como apenas mais um dia. E isso, caros leitores? Isso é convencer. Vencer é uma coisa diferente. Que poderá ter na sua génese uma mão cheia de razões. Ou apenas um dedo. E a grande diferença talvez seja mesmo a capacidade e a ética no trabalho. É isso que nos consegue catapultar para outra dimensão. Porque o talento é soberano. E justo. Só permite que seja evoluído se existir, do outro lado, uma enorme dedicação. Por falar em convencer, dragões e leões “despacharam” Paços de Ferreira e Chaves com enorme facilidade. Entre vários momentos de brilhantismo, numa vitória clara por 6-1, Moussa Marega marcou mais dois golos e assume, juntamente com Aboubakar, uma preponderância assinalável na dinâmica de Sérgio Conceição. São, por exemplo, os dois primeiros homens a condicionar a estratégia ofensiva da equipa adversária, com uma vontade tremenda, quando esta tenta sair em posse. Dois avançados africanos que constituem uma dupla explosiva e, mais importante, extremamente batalhadora. Já o Sporting também não teve qualquer dificuldade frente ao Desportivo de Chaves, vencendo por 5-1. Podence é o melhor aliado de Bas Dost e quando os dois estão em campo em simultâneo, o difícil é deixar o marcador em branco. Jorge Jesus, nos treinos, gosta de chamar “Saviola” a Daniel Podence. E como eu o entendo. Tantas são as semelhanças entre estes dois pequenos génios.

O tetracampeão nacional também venceu. Mas não convenceu. Mantendo-se fiel àquele que tem sido o seu registo mais recente. Ancorado na classe de Jonas e na irreverência de Diogo Gonçalves, que mandou para o banco de suplentes umas dezenas de milhões, como Gabriel Barbosa, Franco Cervi ou até Zivkovic, o SL Benfica bateu o Desportivo das Aves por 3-1, com dois penáltis de Jonas pelo meio. Mas o rendimento coletivo não é suficiente. Aliás, não tem sido e já o venho a dizer há algum tempo. O processo não mente e se a equipa não crescer no seu todo, como o verdadeiro bloco que deve ser, os resultados ambicionados não serão atingidos. Até porque a qualidade dos adversários mais diretos também mudou de figura.

Recorrer ao perfume das individualidades nunca poderá ser a principal solução, uma vez que isso nada mais representa, senão o antecedente de um fortíssimo problema de base.

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