Portugal e a Europa Depois das Europeias

No passado dia 25, realizaram-se as eleições para o Parlamento Europeu tendo a abstenção batido todos os recordes anteriores, uma vez que, mais de 66% dos cidadãos não votaram.
Dos 9.681.415 votantes apenas 3 281 816 votaram, e Gondomar também não fugiu à regra, pois, apenas votaram 54.194 de 144.345 gondomarenses com direito a voto.
Tendo sido o PS o partido mais votado, com 18.379 votos conseguindo mais 1.167 do que nas anteriores europeias.
Relativamente à coligação de direita PSD/CDS teve 11.685 votos perdendo 7.926 votos. A CDU com 7.968 votos teve mais 1.130 votos do que tinha tido nas anteriores Europeias. Já o Bloco de Esquerda teve 3.040 votos, menos 3.768 votos do que tinha conseguido em 2009. Foi sem dúvida um mau resultado tendo apenas sido eleita Marisa Matias e ficando muito longe da eleição do segundo eurodeputado esta constatação impõe uma reflexão profunda sobre a situação política, do caminho percorrido até aqui e as opções a fazer no futuro.
A Direita teve uma derrota importantíssima perdendo mais de 500 mil votos. Mas mesmo assim não parou os seus ataques e nos últimos dias temos assistido a um vergonhoso ataque ao Tribunal Constitucional com a cobertura ainda mais escandalosa do Presidente Cavaco Silva. Os Portugueses perguntam onde está esse senhor. Será que ainda está de viagem pela China? Se for o caso que se deixe ficar por lá pois aqui não deixa saudade nenhuma.
Estas Europeias sinalizaram uma acentuação da crise do sistema político na Europa patente na perda generalizada do peso eleitoral dos partidos tradicionais e do Governo (socialistas e conservadores) e no crescimento da extrema-direita em países como a França, Inglaterra, Dinamarca, Suécia, Áustria e República Checa.
É verdade que também as forças anti-austeridade cresceram como é o caso da vitória do Syriza na Grécia, dos 20% de votos do Sinn Féin na Irlanda, assim como no Estado espanhol com a IU e o novo partido PODEMOS reuniram 18% dos votos.
Estes resultados eleitorais na Europa demonstraram ainda a amplitude da perceção de que a resposta da União Europeia à crise dos últimos anos promoveu a desigualdade, e reforçou o diretório de uma única potência, consolidou o peso determinante do sistema financeiro e de economias submetidas ao rentismo, incentivando, assim a busca de soluções nacionais perante a agressividade da Comissão Europeia e do Banco Central Europeu.
As próximas semanas serão marcadas pelo regresso da contestação, com manifestacões no Porto e em Lisboa.
O caminho tem de ser o desgaste político deste governo PSD/CDS que há muito perdeu legitimidade de governar, mas que teima em levar em frente as suas medidas de destruição que têm atingido como nunca até aqui a esmagadora maioria dos Portugueses.

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