Portugal vai crescer menos do que estava à espera

Este mês, o Governo apresentou, com pompa e circunstância, o seu Plano Nacional de Reformas. Poderia ser uma boa oportunidade para discutirmos a sério que reformas queremos fazer em Portugal nos próximos anos. Até porque, se é verdade que quase todos concordam coma necessidade de fazer reformas em abstrato, depois raras vezes é possível chegar a acordo sobre uma única reforma em concreto. Mas a verdade é que, se o Plano podia ser uma boa oportunidade em teoria, na prática está a revelar-se apenas mais uma oportunidade perdida.

O documento, ou melhor, os 35 slides que constituem a apresentação (porque é disso que se trata), oferecem muitos lugares comuns, poucas ideias e ainda menos propostas concretas. Tudo visto e ponderado, temos muitas coisas que fazem sentido, mas muito poucas são concretizadas ou sequer originais. Já aquilo que é original, pelo contrário, faz muito pouco sentido.

Uma das originalidades que menos sentido faz é apresentar o Plano sem uma única conta e, sobretudo, sem o Programa de Estabilidade. Isto quer dizer que estamos a discutir reformas sem saber que meios Portugal vai ter para as pôr em prática, e sem ponderar que efeitos elas vão ter no crescimento da economia ou no emprego. Ou seja, em vez de um plano de reformas, aquilo que temos na realidade é uma espécie de plano de experiências.

E isto é ainda mais preocupante quando todas as semanas temos uma nova instituição, nacional ou internacional, a dizer que Portugal vai crescer menos do que se estava à espera. A semana passada, por exemplo, quer o FMI quer a Universidade Católica vieram dizer isto mesmo.

E porquê? Por meras razões de conveniência política. Porque enquanto estivemos a discutir ideias vagas, pode parecer que o Governo e os partidos que o apoiam – PS, BE, PCP e PEV – estão todos de acordo. Mas quando começamos a discutir propostas concretas e as suas consequências, é bastante provável que as divergências comecem a aparecer.

E é por isto que a discussão do Programa de Estabilidade tem sido adiada, e vai ser feita numa velocidade relâmpago. A geringonça pode sair a ganhar, mas Portugal sai definitivamente a perder.

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