Pós Troika

Parece que esta malfadada e assaz mal distribuída austeridade começa a dar os seus esperados frutos com a economia do país a finalmente aparentar assumir uma robustez de onde, há muito, andava arredada.
Com efeito já muito poucos questionam a nossa capacidade de sairmos “limpos” deste garrote Troikano, que nos limitou drasticamente os movimentos nos últimos três anos. Os diferentes indicadores económicos colocam, em termos relativos, a performance do país em concorrência direta com os melhores da Europa e, apesar de ser ainda ténue a sustentabilidade de tais indicadores cuja repercussão nos portugueses não é para já mais que psicológica, todos sentimos um enorme alívio interior e uma renovada esperança no dealbar de um novo ciclo para Portugal.
Neste momento portanto, a questão que se nos coloca não é a de saber se estamos obrigados, ou não, à assinatura de um programa cautelar mas, bem diferente, se nos interessa sair “limpos” do resgate ou se não será melhor garantirmos alguma segurança que nos proteja de alguma “intempérie” que esta volátil economia globalizada é fértil em potenciar.
Porque a economia do país estando em inequívoca recuperação, continua frágil, demasiado frágil, para enfrentar acrescidos golpes advindos do “estado de espirito” dos investidores, dos mercados. E a verdade é que, se tal acontecer, um programa cautelar dar-nos-á a necessária serenidade interna e confiança externa na capacidade que teremos de lhes responder. Sem programa, tudo será mais difícil e intenso na gravidade, com a necessidade de programas de última hora, sempre definidos à pressão e manifestamente mais caros para o país. Contudo, e isso é claramente positivo, teremos que ser nós portugueses, a avaliar e decidir qual o melhor caminho.
É pois este o debate que a responsabilidade exige que a Maioria e o Partido Socialista tenham, sem subterfúgios ou manobras de diversão, uma vez que é o nosso futuro coletivo que, em concreto, mais uma vez está em causa. Os partidos políticos do arco da governação, pela representatividade que têm mas essencialmente pela responsabilidade que lhes cabe no atual estado critico da nossa economia, não têm mais espaço para guerras, guerrinhas ou guerrilhas mútuas, onde objetivamente são só os portugueses que perdem por isso.
Manifestei, creio que sem tibiezas se bem que sucintamente, a minha opinião sobre tão candente tema, no entanto caberá a quem nos representa desempenharem o seu papel de entes mais preparados e apetrechados tecnicamente, decidindo a solução que melhor garanta os lídimos interesses dos portugueses.

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