Programa Metropolitano para a Qualificação Urbana da Circunvalação

A AMP, através dos Municípios do Porto, Matosinhos, Maia e Gondomar, apresentou no passado dia 17 de março, o “Programa Metropolitano para a Qualificação Urbana da Circunvalação”. Esta intervenção há muito esperada, contará com a criação de uma “Sala do Risco”, com técnicos dos quatro municípios que têm, a partir desta terça-feira, quatro meses para traçar um novo desenho urbano para a via histórica.

Na sua origem, a Estrada da Circunvalação foi aberta em finais do século XIX, com a finalidade de servir de barreira à cidade para o efeito de fiscalização, para taxação dos bens de consumo que entravam no Porto.

Com o decorrer dos anos e das crescentes conurbações urbanas, a ausência de uma política intermunicipal levou a uma descaracterização continuada da via, cujas oposições marginais, atravessamentos desregulados de vias de ligação e aparecimento de viadutos e rotundas sem estudo prévio, chocam a génese da sua fisionomia. Tornou-se não uma estrada, mas um corredor de atravessamento automóvel mal conseguido e totalmente desumanizado.

Aquilo que se torna urgente é um novo desenho da via que se quer “humanizada”, menos estrada e mais “avenida e boulevard”, como explicou o arquiteto coordenador e vereador da Câmara Municipal do Porto, Manuel Correia Fernandes. As tipologias de “Boulevard” ou Avenida demonstram que uma “rua” larga não tem que ser obrigatoriamente uma “via rápida” de atravessamento, mas pode ser concebida com elementos não rígidos de separação de funções, como espaços verdes ou espaços de estar (praças). Em suma, a via deverá ser direcionada ao peão, resultando na criação de bons espaços de passagem e de permanência, permitindo ao espaço público potenciar uma vida urbana com grande vitalidade. Neste sentido, o relatório de lançamento do “Programa Metropolitano para a Qualificação Urbana da Circunvalação”, apresentado ainda em 2014, definia como “orientações consensuais” que se evitassem expropriações e que se implementassem passeios e ciclovias nos 17 quilómetros da via.

O presidente da Câmara Municipal de Gondomar destacou nesta reunião a urgência de “andar com o processo para a frente” para que “aquilo que era uma barreira” entre Municípios passe a ser “uma união”. Salientou ainda que o programa para a qualificação daquela via era um “trabalho para o futuro” uma vez que reservava “um canal para o metro”, permitindo a ligação da linha de Gondomar à linha amarela, que termina no nó do Hospital de São João.

Todos os Municípios envolvidos só têm a ganhar com esta política de consenso e proximidade, e é de louvar a dedicação a um projeto urgente e necessário.

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