Qual é a pressa?

1 . Quando faltam menos de três meses para as eleições eis que o Governo decidiu avançar a passo acelerado para a privatização da TAP, numa espécie de impulso juvenil, com os trabalhos de avaliação dos processos de concurso a serem feitos pela noite dentro, como acontece com os alunos que deixam a preparação dos exames para a véspera.

Se juntarmos o facto de a TAP ser vendida a um preço abaixo do valor das contratações de muitos dos jogadores de futebol com a falta de informação sobre a formação dos consórcios e o contrariar, mais uma vez, de um compromisso assumido pelo Governo quando o Ministro da economia anunciou que a venda não ocorreria próximo das eleições, temos neste episódio mais um curioso retrato do modus operandi desta maioria.

Há no ar um cheiro insuportável a fim de feira, mas há, sobretudo uma pergunta que não podemos deixar de fazer: se dentro de menos de três meses teremos eleições e um novo Governo, qual é a pressa desta venda em fim de mandato? Sim, caro/a leitor/a, a resposta que lhe está a passar pela cabeça neste momento é a chave de toda esta história.

2 . Com o aproximar das eleições vão surgindo sondagens anunciadas com um tom cada vez mais carregado de dramatismo, de modo a fazer subir as audiências e vender jornais.

As últimas sondagens têm, contudo, um traço curioso que merece a nossa análise. Apontam para estarmos a viver um período em que, no que diz respeito à intenção de voto, o PS não sobe e, em alguns momentos, regista mesmo uma descida, permitindo uma aproximação da coligação no Governo, deixando no ar a inevitabilidade de uma maioria relativa ou até mesmo de uma surpresa eleitoral depois do desastre destes quatro anos.

Contudo, esta visão altera-se completamente quando analisamos os dados referentes à confiança nos líderes e nos programas eleitorais apresentados. Aí António Costa e o programa eleitoral do PS vencem com uma diferença mais de que estonteante.

Ora, sabendo nós o quanto estes dois fatores são condicionantes da decisão de voto só podemos concluir que os portugueses não estão a querer assumir claramente a sua verdadeira opção e que corremos o sério risco de ver as sondagens derrapar nas urnas. Seria absolutamente esdrúxulo que os portugueses fossem votar num líder e num projeto em que manifestamente não se revêm, produzindo um distanciamento tão acentuado entre a sua expressão de confiança e o voto.

Penso que não andarei longe da realidade ao vaticinar uma noite eleitoral negra para as empresas de sondagens.

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