Qualidade na saúde…

Esta semana inicia-se no nosso Hospital Lusíadas Porto, uma recertificação de qualidade em saúde pela Joint Comission Internacional, um dos mais conhecidos e exigentes auditores de qualidade em saúde, a nível mundial. Sendo este Hospital já distinguido por este selo de qualidade, não interessa o ter sido no passado, mas principalmente que se mantenha atualizado. Sei que para o comum cidadão que utiliza os serviços de saúde públicos ou privados, esta qualificação não lhe dirá nada ou muito pouco, no entanto, para nós profissionais de saúde obriga-nos a uma disciplina de atitudes e protocolos, no nosso dia a dia, hospitalar e clínico, com empenho em manter os critérios de qualidade de saúde. Sei bem que, perante as dificuldades económicas atuais, o fator preço tem um papel muito importante quando se trata de escolher o serviço de saúde que precisamos de recorrer, mas tal como o povo diz, “às vezes o barato sai caro”. Lembro-me de um doente que ainda esta semana, na necessidade de realizar uma ressonância magnética, exame não disponível no seu médico de família, perante a escolha do local para realizar o respectivo exame, perante as varias hipótese postas à disposição por critérios de qualidade, preferiu fazer esse exame, no local mais barato. Por cerca de 10 euros mais barato, (é dinheiro) fez a RM, mas o seu resultado se mostrou inadequado, sem imagens a não ser num CD de fraca qualidade, obrigando o clínico a cingir-se ao relatório também ele inconclusivo. Logo obrigou a repetir o exame, com o dobro do prejuízo e de tempo. Efetivamente a qualidade nem sempre se alia à economia, e na saúde, isso é relevante. É óbvio que o caro nem sempre também será sinónimo de qualidade, tal como tudo na vida, no equilíbrio, estará a virtude. O direito à saúde, livre e tendencionalmente gratuita, é uma das regras mais conhecidas da constituição portuguesa, que é confundida com a ideia, que é grátis. Em saúde, nem sempre os critérios económicos serão aliados à qualidade, logo esse preço será uma opção que deve ser tomada por todos nós. Na decisão de um tratamento médico, o profissional de saúde, deverá colocar em primeiro lugar critérios científicos e de qualidade só depois virão os necessários critérios de economia. Cada opção tem o seu peso e medida, não devendo ser confundidos, ou apenas restritos aos critérios económicos. Mesmo em saúde, não devemos esbanjar ou ser despesistas, pois a sustentabilidade e a realidade económica do nosso país deverá estar patente na nossa decisão, mas não deverá ser nunca o primeiro critério na nossa opção terapêutica. Daí a necessidade de os serviços de saúde serem avaliados e vigiados por critérios de qualidade.

Até breve, estimados leitores…

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