Quando o Estado não protege a sua Nação

Quando escrevo este artigo acabo de ler a carta escrita pela mãe de uma vítima de Pedrógão Grande, ao lê-la, pensei o que certamente muitos de vós pensaram, quão grande é o sofrimento de quem passa por um duro golpe como este e o consegue, pelo menos, em parte, passar ao papel.

Na visita que efetuei no âmbito da Comissão de Ambiente àquela região cheguei a algumas conclusões de que já desconfiávamos, mas fiquei ainda com mais dúvidas do que já tinha, porque ao contrário de muitos, considero que nem de longe nem de perto tudo está esclarecido.

Em todo este processo há muita informação, mas também outra tanta desinformação, pois, por um lado dizem os técnicos que esta situação era previsível há muito tempo, então a pergunta que se impõe é porque nada se fez. Depois diz-se que há fenómenos que ocorreram na ocasião que não era possível controlar, sendo certo que quanto a esta, de forma alguma consigo aceitar tal explicação, pois o Estado tem que ter meios operacionais suficientes e em condições de atuar em cada momento com a solução mais adequada para o efeito.

Houve vários momentos em que a visita no terreno e a abordagem me marcaram profundamente entre o contraste do rasto de morte e a vida a querer renascer, mas das várias perguntas que efetuei no contacto com aquela população completamente traumatizada, o facto que me levou a escrever sobre este tema foi a pergunta que eles me devolveram: se por acaso eu me sentia em segurança, pois o que eles sentiam era que cada um estava entregue a si próprio e que o Estado simplesmente não os protegia.

Ora, quando os cidadãos chegam a este ponto é, porque sem dúvida alguma, estamos perante um Estado que não cuida nem protege os seus cidadãos como é a sua primordial função.

Também o que aconteceu em Tancos, embora diferente, é algo que nos deixa no mínimo perturbados, mas, em que mais uma vez o Estado falhou e não protegeu a sua Nação, agravando ainda mais o sentimento de insegurança e impotência que se vai sentindo por todo o País, exonerando-se cinco comandantes, voltando a nomeá-los em poucos dias, com um nítido passar de culpas como se fosse essa a solução para quem espera no mínimo que cada um assuma as suas responsabilidades como é a sua obrigação e não tente arranjar meras desculpas para o sucedido.

Estes são apenas dois casos entre muitos outros que nos levam a reafirmar o que é óbvio: o Estado tem a obrigação de gerir da melhor forma os recursos que os seus cidadãos lhe entregam, garantindo sempre as funções essenciais de soberania da sua Nação: justiça, representação externa, finanças nacionais, segurança interna, solidariedade e defesa nacional.

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