Quem ganha e quem perde

Quem vive do seu trabalho já percebeu bem qual é o preço do suposto sucesso do Governo, no seu rumo de subserviência à troika e aos mercados. Cortes nos salários, nas pensões, desemprego, miséria. Mas há quem ganhe. O que aconteceu com os CTT é um bom exemplo. Para o Bloco de Esquerda a privatização dos CTT é um erro, seja qual for o preço. Mas sempre dissemos também que se estava a vender uma empresa lucrativa por tuta e meia. Se dúvidas houvesse, agora está à vista de todos. Um mês depois da privatização, BES, BCP e JPMorgan, os mesmos bancos que assessoraram o Governo na venda, avaliaram agora os CTT num valor 30% mais alto. Ou seja, o Estado vendeu a cinco o que afinal vale sete, entregando 200 milhões de euros aos privados.
A venda dos CTT foi um crime contra o interesse público e não é caso único do favor do governo aos grupos financeiros. Aliás, a promiscuidade entre governo e negócios é clara. Veja-se o caso de José Luís Arnault, ex-ministro e deputado do PSD, dirigente do PSD, e jurista que conseguiu estar em todas as privatizações, da EDP, REN, ANA, CTT, ora do lado do Estado ora do lado dos privados. Acaba de ser contratado pela Goldman Sachs, o maior acionista privado dos CTT, banco responsável pela crise financeira, que vendeu SWAPS tóxicos a Portugal e que o Governo contratou para assessorar o regresso aos mercados. Este governo é assim: premeia com punição quem com o seu trabalho constrói o país, pune com prémio quem rouba o país. E a Goldman Sachs premeia quem lhe abriu as portas.
O governo PSD/CDS está a entregar o país por tuta e meia e está a delapidar as possibilidades de futuro de Portugal. O primeiro-ministro já o afirmou em entrevistas: a dívida vai continuar a engolir os recursos do país e o seu projeto é o de mais 15 anos de cortes de salários e pensões, mais 15 anos de cortes no acesso à saúde e educação, mais 15 anos do garrote do desemprego e da precariedade, mais 15 anos da sangria da emigração. A massa de que é feito o seu suposto sucesso é a mesma que tira salários, pensões, emprego. A mesma que privatiza o país, que destrói o SNS, a Escola Pública, a ciência, a cultura.
Sabemos bem que não se alicerça nenhum sucesso nos escombros da economia e no mar do desemprego. O país precisa de emprego, produção, serviços públicos, qualificação. Precisa de gente. De cidadania. Precisa de resgatar a democracia das teias da finança internacional e de se livrar deste governo de Miguéis de Vasconcelos.

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