Reabilitação urbana ao serviço das populações

Integra a cidade o conjunto dos seus habitantes, com as suas diferentes atividades e dinâmicas distribuídas por um território determinado, com características próprias, os bairros, que, na sua diversidade constituem um todo identitário, uma comunidade.

O espaço público na cidade tem que ser encarado como suporte da diversidade, da liberdade e forma de contrariar a polarização e a segregação social.

Numa altura em que se levanta a discussão pública sobre as ARU’s no nosso município cabe-nos fazer uma análise de como Gondomar evoluiu ao longo dos últimos anos na chamada desregulação urbana, seja pela construção desenfreada, pelas políticas que esvaziaram o património em vez de primar pela sua conservação e reabilitação, pelas acessibilidades que tornam o município paupérrimo no que se trata às questões da mobilidade, pela falta de espaços verdes e locais de encontro que sejam locomotores do reforço do laço social, seja políticas que promoveram a especulação imobiliária em vez do alojamento local.

A responsabilidade do município é de encontrar os meios para promover a reabilitação sem descaracterizar as áreas a reabilitar, as chamadas ARU, Áreas de Reabilitação Urbana. A isto chama-se revitalização urbana, com preservação.

Este é o momento de fazer os debates sérios para construir mudanças estruturais nas nossas cidades e na vida das populações. Para o Bloco de Esquerda a reabilitação urbana só é possível se ela for capaz de dar resposta ao problema das pessoas.

Como dizia David Harvey: “A questão de que tipo de cidade queremos não pode ser divorciada do tipo de laços sociais, relação com a natureza, estilos de vida, tecnologias e valores estéticos desejamos. O direito à cidade está muito longe da liberdade individual de acesso a recursos urbanos: é o direito de mudar a nós mesmos pela mudança da cidade. Além disso, é um direito comum antes de individual já que esta transformação depende inevitavelmente do exercício de um poder coletivo de moldar o processo de urbanização. A liberdade de construir e reconstruir a cidade e a nós mesmos é, como procuro argumentar, um dos mais preciosos e negligenciados direitos humanos.”

Cabe a todos nós o papel de lutadores e construtores de um modelo de cidade que seja de todos e para todos, uma cidade rebelde!

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