Rio Douro

Estamos no verão. Apesar de ter aparecido tímido e molhado não tenhamos duvidas que o calor vai-se mostrar forte e intenso a convidar reconfortantes convívios com a frescura dos espaços mais arejados e temperantes do concelho.
Claramente que o rio Douro será um desses espaços, seja porque a crise não permite a muitos dos gondomarenses suportar os custos das deslocações a praias de mar, seja porque a sua proximidade e beleza convencem muitas das famílias a beneficiarem da sua bonomia. Temos confirmado, nos últimos anos, uma crescente utilização, uma crescente procura da margem gondomarense do Douro, em especial por parte da população mais carenciada do concelho, facto que já deveria ter motivado os responsáveis municipais a dotarem tais praias fluviais das mínimas condições de utilização por forma a salvaguardarem não apenas as necessárias valências de salubridade e funcionalidade como, e não menos importante, a segurança de todos os seus utentes.
A verdade contudo é que, à laia do que tem vindo a acontecer nos largos últimos anos, os responsáveis gondomarenses continuam de costas viradas para o rio Douro quase como se fosse uma maçada passar-nos aqui mesmo ao lado. Em qualquer outro país a presença do segundo rio mais importante seria uma mais-valia inestimável, potenciadora de parcerias ambientais, turísticas e de confluência de interesses e valores, motivadores de equilíbrios positivos entre a comunidade e a natureza.
Pois em Gondomar não se pensa assim e quando, em tempos, questionamos a gestão autárquica sobre tal problemática, apenas nos disseram que o rio não era administrado pelo município e que pouco se poderia fazer. Ora com a mudança da gestão municipal esperávamos uma fundamental transformação em tal insensata visão, e que houvesse a perceção de que as diferentes competências das diversas entidades com jurisdição no rio, só pudessem ter um sentido: a confluência de tais competências em prol do bem comum, em prol dos interesses da comunidade. E, convenhamos, a limitada infraestrutura POLIS, representa intervenção manifestamente exígua em função das amplas disponibilidades que o rio oferece.
Sabemos que a atual gestão municipal tem tido outras prioridades, por ventura justificáveis. Contudo a inação que sentimos preocupa-nos, já que todos sabemos também, que a modernidade se faz no desenvolvimento harmónico do todo, na interação do investimento multidisciplinar.
Enfim esperemos pelo tempo desta gestão municipal, e pela sua capacidade de gerar férteis confluências entre quem tenha particulares competências na gestão das virtualidades do rio. Até lá, o rio Douro continuará a caminhar para a sua foz, sem que os responsáveis gondomarenses mostrem dar muito pela sua presença.

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