Sabe quem vai pagar a conta do festim de António Costa?

1 – Em apenas dois meses de governação, António Costa conseguiu demonstrar ao país real e à classe política profissional que a longevidade do seu Governo está muito mais dependente de si próprio e das circunstâncias políticas de cada momento – das estrelas da sorte, entenda-se! – do que propriamente dos seus aliados à esquerda, ou opositores à direita. Aliás, quem mais tem contribuído para a “independência” de Costa são exatamente os comunistas, como adiante se verá.

De facto, desfeita a coligação PSD/CDS, Pedro Passos Coelho viu-se forçado a aprovar o orçamento retificativo, e a moderar o discurso, reajustando-o aos ventos dominantes; ao ponto de já dizer que espera que o atual Governo cumpra a legislatura! Por seu turno o CDS, com nova liderança à vista, prepara-se para fazer um caminho autónomo, e muito mais livre para, em cada momento, poder alinhar consoante as circunstâncias políticas.

2 – Os que esperavam que um Governo apoiado pelas esquerdas iria gerar uma onda de contestação generalizada ficaram desiludidos. O país real acomodou-se rapidamente ao novo cenário político, dividindo-se em dois blocos: os que concedem ao Governo o benefício da dúvida; e os que acreditam genuinamente num “tempo novo”. De tal sorte que a oposição de direita viu-se obrigada a arrepiar caminho, sobretudo no discurso derrotista, e na prometida oposição parlamentar sistemática.

Enquanto isto, o novo primeiro-ministro definiu a sua fórmula de governar, acelerando a fundo num sem número de alterações às políticas de Passos Coelho. Como recentemente escrevia um colunista no jornal “Público”, “à segunda o Governo desfaz, à terça anula, à quarta refaz, à quinta revoga, à sexta repõe. Ao sábado e ao domingo descansa para ter forças para na semana seguinte voltar a desmanchar, cancelar, abolir, alterar, devolver, destruir e, claro está, suprimir.”

3 – É fácil de perceber a fórmula de Costa: aproveitar ao máximo o descontentamento que a fórmula Passos tinha gerado, e procurar cativar o maior número possível de eleitores céticos. Para isso, é preciso que o banquete continue a ser servido em doses rigorosamente controladas. Nem tão parco que deixe os esfomeados desconfiados; nem tão lauto que deixe os remediados empanturrados.

Segundo o próprio Governo, prevê-se que o défice aumente em 11 mil milhões de euros em relação ao previsto pelo Governo anterior. Valor que representa exactamente o preço dos acordos feitos com as esquerdas e as promessas eleitorais socialistas. Para já, Costa empurrou, para depois da legislatura, uma amortização de 6,6 mil milhões de euros ao Fundo Monetário Internacional. O resto “logo-se-vê-quem-é-que-paga”, quando a factura chegar…

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