Santa Cruz 2018 e, mais uma vez, “monos e monstros”…

Entre os dias 13 e 17 de setembro, Jovim esteve em festa. Algo normal, anualmente, e algo normal, também, um pouco por todo o concelho. Mas este ano as festividades em Jovim foram um pouco diferentes…

Começaram no dia 13 com os grupos folclóricos locais. Decidindo apostar na “prata da casa”, a Comissão de Festas convidou, para o dia da abertura, o Rancho Folclórico de Santa Cruz de Jovim e o Rancho Folclórico das Lavradeiras de Jovim. Há que, sempre que possível, promover o que de bom temos. Divulgar o que é nosso e defender as nossas culturas e tradições. Assim foi, em Jovim.

Depois, ainda nestas Festas de Santa Cruz, houve o normal e sempre aguardado programa religioso, complementado com muita música (Diapasão, Zés Pereiras, Fernando Rocha, DJs, Banda de Música de Gondomar, Banda de Música da Arrifana, Fanfarra Particular de Gondomar e Toy).

Mas o que me leva, nesta altura de Festas do Concelho, a falar das Festas de Jovim?

Uma freguesia não é um concelho mas, neste caso, uma freguesia conseguiu dar o exemplo a um concelho. As Festas do Concelho, com mais apoios, mais entidades envolvidas e um conjunto de meios que em nada se compara, deveriam “olhar” para o grupo que, em Jovim, decidiu abraçar este projeto.

Disseram-me ser “malta nova”. Ou seja, pessoas que decidiram realizar as festividades com um único propósito: fazer umas festas dignas e que à população local agradassem. Acho que o conseguiram. Bastará, por exemplo, verificar a lista de apoios e patrocínios que conseguiram. E, ao mesmo tempo, constatar a imensidão de público que esteve nos principais atos religiosos e concertos musicais.

Foi, como escreveu Pedro Santos Oliveira (presidente da Comissão de Festas), “um programa eclético, ao encontro de diferentes gerações e sensibilidades”. Fica o exemplo. Outros, por todo o concelho/país, que se esqueçam dos estatutos e das mordomias para fazerem festividades que, de facto, vão ao encontro dos anseios das populações. E não dos seus.

De resto, e como escrevi na crónica do mês anterior, “monos e monstros” continuam na ordem do dia. Os gondomarenses continuam a não respeitar as mais elementares regras de civismo e de boa educação. E o presidente da Câmara, também ele gondomarense, não consegue encontrar a melhor solução para resolver este problema…

A cidadania e o respeito pelos outros, de que tantos temos falta, é muito importante e um pilar básico da vida em comunidade, mas senhor presidente da Câmara de Gondomar, como já diziam os meus antepassados: “o exemplo vem de cima”.

Em vez de educar, o presidente da Câmara agora apela ao “nacional-chibismo”. Ou seja, à denúncia.

Passo a citar: «Bastava ligar 800 200 129 e iam a casa recolher gratuitamente… PF quando virem cidadãos a fazer isto, DENUNCIEM através do mail geral@cm-gondomar.pt para que se possam aplicar coimas.»

Até aqui tudo bem nesta publicação do presidente da Câmara de Gondomar (feita no Facebook a 23 de setembro de 2018). Depois “estraga” tudo: «A denúncia deve conter fotografia da pessoa a colocar os “monstros”, com nome e morada ou onde se veja a matrícula da viatura se for de carro.»

Fotografia. Nome. Morada. Matrícula.

O “crime” de colocar “monos e monstros” na rua tudo desculpa. Mesmo o desrespeito dos mais básicos direitos democráticos…

Tenho uma ideia!

Se souberem que a pessoa em questão tem dívidas ao Fisco, façam denúncia para a Autoridade Tributária. E souberem que andar a “jantar fora”, telefonem ao marido/mulher a avisar, mas atenção vejam lá se não tem “telhados de vidro”.

Nada como um país de “bufos”!

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