Se a União Europeia implodir iremos todos para a falência

1 – Falar hoje da União Europeia já não é propriamente matéria de política externa, porquanto as nossas vidas, como a de todos os cidadãos dos países que integram a comunidade, estão cada vez mais dependentes das políticas e decisões de Bruxelas. Logo, neste sentido, podemos dizer que a política da União entra verdadeiramente na órbita da política interna dos seus membros.

Ninguém ignora que a crise económica internacional tem abalado profundamente, nos últimos anos, os alicerces da União Europeia. Por isso, os diretórios europeus estão desorientados, sem rumo nem destino, apagando incêndios pontuais, que é como quem diz socorrendo casuisticamente os vários Estados onde os efeitos da crise representaram devastadores tsunamis na vida de milhões de cidadãos e empresas.

2 – A União Europeia está sem rumo e a fazer navegação à vista, como quem espera um milagre que cada vez parece mais longínquo. Nem o anterior presidente da Comissão Europeia, nem o atual, conseguiram demonstrar capacidade efetiva para definir um caminho. E nem vale a pena falar da irrelevância dos presidentes do Conselho Europeu, Parlamento Europeu, ou de outras figuras institucionais que alegadamente deveriam ter uma palavra relevante sobre o destino da comunidade.

É certo que o presidente da União, Jean-Claude Juncker, e o presidente do Banco Central Europeu, Mário Draghi, têm tentado chamar a si um expressivo protagonismo no controlo dos estragos desta gigantesca crise. Mas, na hora da verdade, eles bem sabem que os seus poderes reais estão sempre dependentes do entendimento ou desentendimento da Chanceler alemã Angela Merkel, e do presidente francês François Hollande.

3 – A saída do Reino Unido da União Europeia, conjugada com as eleições presidenciais francesas na próxima primavera, e ainda com as eleições gerais na Alemanha, são, por si só, factos políticos que aprofundam as incertezas do futuro político da comunidade. Estes três elementos da equação criam, de resto, um verdadeiro triângulo escaleno, cujo equilíbrio de forças e consequências é absolutamente imprevisível. A União navega assim entre o desnorte e o abismo.

As dívidas soberanas; a asfixia financeira de dezenas de bancos; as responsabilidades e garantias de dezenas de biliões de euros assumidas pelo Banco Central Europeu; o terrorismo internacional; os fluxos de milhões de refugiados; e o ceticismo sobre o futuro da moeda única alimentam as profecias de implosão interna da União Europeia, ainda antes de terminar a presente década. Se o pior vier a acontecer, para Portugal os efeitos deste terramoto não deixarão pedra sobre pedra… Que Deus nos livre de semelhante tragédia.

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