Sem restruturação da dívida, o país não tem futuro

O manifesto pela reestruturação da dívida pública foi sem dúvida o acontecimento político da semana. E como é evidente, o estranho não foi assistirmos a signatários tão diversos em torno de um tema como, Adriano Moreira, Manuela Ferreira Leite, Francisco Louçã, Bagão Félix, Freitas do Amaral, Carvalho da Silva, entre muitos outros, convergências e consensos há muitos. O que tornou o manifesto central foi, o apelo tão vasto em torno de um tema que há não muito tempo atrás era um autêntico tabu.
Num momento em que o Governo nos garante que estamos no bom caminho, eis que surge um manifesto subscrito por personalidades de diversos quadrantes declarando que temos de reestruturar a dívida.
É bom lembrar que a restruturação da dívida foi uma das principais bandeiras do Bloco de Esquerda em 2011. E foi-o precisamente por já na altura ser evidente que não era possível saldar a dívida que o país acumulava. Saldar a dívida com os juros e nos prazos então acordados seria, a condenação de quaisquer hipóteses de retoma económica.
Embora fosse a única solução realista para evitar um mergulho convicto na catástrofe social, a reestruturação foi desde logo encarada como a solução de uma cambada e radicais marginais que por ai andavam.
A condenação da reestruturação atingiu aliás o seu ponto máximo quando começou a ser apelidada de “calote” aos credores. Um calote que levaria à miséria, a desempregos e a falências. Um caos, portanto.
Vemos agora os mais diversos sectores reunirem-se em torno deste tema, considerando-o como a única saída realista perante o cenário que o país vive.
Não haja dúvidas a este respeito. Em última análise, é sinal de que a mudança está em curso acelerado. O radicalismo de ontem transformou-se agora em pragmatismo. Venham mais convergências deste tipo.
Cá estaremos para as receber.

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