Setembro

Setembro, mês de início de novo ano escolar e judicial, mostra-nos o estado do país. Este setembro, que marca ainda o início da última sessão legislativa deste governo, é também mês de balanço. E o país com que nos confrontamos neste Setembro revela como Portugal mudou nos últimos três anos.
O país agoniza, sem investimento, com exportações que não conseguem superar importações, cada vez com menos capacidade produtiva e menos emprego. A economia do país produz hoje tanta riqueza como em 2003, mas paga as contas do dia-a-dia com os preços (muito mais altos) de 2014. É um país mais pobre, com menos gente, mais endividado e mais desigual.
As privatizações de setores estratégicos e monopólios retiraram ao país poder de decisão e empobreceram toda a população. Um exemplo de como a economia dita competitiva das privatizações, onde iriamos pagar menos pelo mesmo, é um embuste: Alguém viu a fatura da luz descer? Aumentou mais de 30% em três anos. As privatizações, da eletricidade aos aeroportos, passando pelos CTT, têm sido um crime económico contra o interesse nacional.
Os serviços públicos estão a viver uma situação de rutura. O SNS com falta aguda de médicos e enfermeiros, notícias da emergência médica que chega mesmo a faltar fatalmente, listas de espera que se acumulam, acesso cada vez mais caro a consultas, exames e medicamentos. No início do ano letivo, são as escolas em contentores, os alunos ainda sem professores, as colocações de professores envoltas em erros e absurdos. Na justiça, os tribunais, como as escolas, são hoje menos e mais distantes, e até o programa informático rebentou pelas costuras. A segurança social responde cada vez menos, deixando ao abandono idosos pobres, desempregados, crianças e jovens.
E a maior alteração, e a que mais fundo ataca a liberdade e a democracia: a precariedade laboral como norma. Alteraram o código do trabalho e salários, como se o trabalho fosse uma esmola e não um direito, com o desemprego para tantos e tantos enquanto quem tem trabalho trabalha cada vez mais dias por menos dinheiro. A contratação coletiva está de rastos, apenas um em cada vinte trabalhadores está abrangido pela solidez de um acordo que lhe garanta os seus direitos.
Enquanto isso mais um grupo financeiro colapsou e mais uma vez o governo estendeu a mão para pagar os prejuízos. Também o caso BES nos traz alguma coisa neste setembro: a certeza que afinal sempre há recursos públicos. Que nada teria de ser como foi. Basta de pagar os desmandos do setor financeiro nem podemos mais tolerar que os senhores da finança decidam a vida do país. Setembro é um mês de recomeços. Que este seja de juntar forças para reconstruir o que foi destruído.

 

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