Silly Season

Findo o verão – que espero tenha incluído alguns mergulhos, da minha parte confesso ter perdido quase toda a coragem da infância para me fazer intrepidamente às frias águas do Atlântico Norte – a política dominará com certeza os próximos meses de agenda mediática.

Aparentemente quem anda à procura de encontrar o seu norte a este respeito é o Partido Socialista com a nota mais importante da silly season da campanha socialista a ser a de que não se confia em socialistas para trabalhar com cartazes.

Mas mesmo naquilo em que o PS aparentemente aposta tudo – o seu cenário macroeconómico com “números rigorosos” – a coisa não está a correr bem. De prometer 45 mil empregos como fazia em abril, António Costa decidiu-se a ultrapassar a fasquia dos 150 mil marcada em tempos por José Sócrates, para prometer agora 207 mil novos empregos numa futura legislatura. Notável, até porque um dia depois do anúncio Costa voltou atrás para garantir que não se tratava de uma promessa mas de uma estimativa. Vamos ver se contará com a estima dos portugueses.

Mas o documento macroeconómico, agora na sua segunda versão qual orçamento rectificativo, tem mais problemas. A principal tabela apresenta dados dez vezes afastados do seu valor real. É um erro grave mas algo irrelevante, afinal, e apesar de ser um esforço louvável, o que o PS faz é relativamente fácil: coloca números numa tabela e diz serem rigorosos. Recorde-se que o PS fugiu a sete pés de uma avaliação dos seus cenários e números. Já ao contrário, os números da coligação foram avaliados, pelos menos, pela UTAO, o Banco de Portugal, o Conselho de Finanças Públicas e, claro, Bruxelas, para onde foram enviados no Programa de Estabilidade 2015-2019. São pareceres independentes com os quais se pode concordar ou discordar, mas sempre são uma base para uma avaliação. Pena que o PS se tenha furtado a tal.

Quanto formos a votos dia 4, saberemos se os portugueses confiam mais em quem colocou o país à beira da bancarrota, sem dinheiro para pagar salários e pensões ou em quem retirou o país dessa situação e colocou o país a crescer, o emprego também, e o país numa rota de esperança. A minha estima vai para a coligação. Prometo.

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