Só o fim da austeridade pode salvar o país

Todos os dias ouvimos vários comentadores políticos, quase todos ex-ministros do PSD, a dizerem que sem um acordo entre os três partidos que subscreveram o chamado Memorando de Entendimento com a troika, o país não tem salvação. Repetem, repetem que é indispensável tal acordo. Mas escondem que a responsabilidade pelo desastre económico e social em que o país se encontra é justamente das políticas de austeridade que têm vindo a ser aplicadas pela coligação governamental PSD/CDS-PP. A situação muito grave em que o país se encontra tem tudo a ver com a demissão, não de um mas de dois ministros de Estado, e da remodelação falhada, sem esquecer a iniciativa presidencial que lançou ainda mais confusão.
Os Portugueses perguntam qual o destino do país e quem assume a responsabilidade por uma solução democrática que ponha termo ao pântano político para onde o país está a ser atirado.
Ao recusar a realização de eleições legislativas antecipadas, o Presidente da República arrastou o país para uma crise ainda maior. Tivesse Cavaco Silva demitido o governo PSD/CDS-PP há três semanas e chamado a democracia a resolver o impasse, ter-se-ia aberto uma porta para uma solução dos problemas. Mas ao não convocar eleições, o Presidente da República só agrava a situação. Nas próximas semanas continuará a agonia duma coligação que quer aplicar um programa de austeridade que o país não aceita, já que não resolve nem o défice nem a dívida, apenas pretende destruir os serviços públicos de educação, saúde e segurança social, baixar os salários e as pensões e privatizar o que ainda resta de empresas com capital público.
Na atual situação, é urgente, é necessário que os partidos e forças de esquerda assumam as suas responsabilidades. Sabemos que têm visões diferentes, que têm histórias e especificidades próprias,  mas têm de responder aos desafios do momento e mostrar que há alternativas, que há outro caminho. Os Portugueses não precisam de acordos para ressuscitar um governo morto, precisam sim dum governo com legitimidade política, com propostas que respondam aos problemas do país e que recusem a austeridade que empobrece o país e destrói a economia. E isso só pode acontecer com a realização de eleições antecipadas.

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