Só uma grande coligação pode tirar o país da crise

1 – É praticamente garantido que as eleições legislativas não serão antecipadas. Assim, os portugueses deverão ir às urnas no início do próximo outono, mais ou menos daqui a dez meses. É igualmente quase certo que o PS deverá ser o vencedor. Mas poucos acreditam que António Costa obtenha uma maioria absoluta, vendo-se assim obrigado a fazer uma coligação.
Com estes dados, a grande questão que começa já a colocar-se é esta: Com quem deve coligar-se o PS? Deve António Costa escolher simplesmente quem estiver mais disponível para o apoiar, satisfazendo-se com a maioria aritmética? Deve excluir os partidos à direita do PS e favorecer os que estão à sua esquerda? Deve privilegiar um acordo alargado com os partidos da atual maioria?

2 – Dir-se-á que é ainda muito cedo para discutir este tipo de problemas, pois aparentemente só faz sentido falar de coligações depois de conhecidos os resultados eleitorais. Mas não é irrelevante ter ideias claras sobre os cenários pós-eleitorais. Como não é irrelevante que essas mesmas ideias sejam dadas a conhecer aos eleitores antes das eleições, de forma a que ninguém tenha de passar um cheque em branco a quem quer que seja.
Ora, todos os estudos de opinião dizem que os portugueses defendem que o próximo primeiro-ministro deve fazer tudo por tudo para formar um governo com uma larga base de apoio partidário. Só assim será possível convencer a União Europeia a flexibilizar as suas exigências quanto aos prazos para amortização da nossa dívida. O mesmo se pode dizer quanto à redução das taxas de juro a que o país está sujeito.

3 – É neste quadro que a retórica política e a luta partidária pré-eleitoral assumem particular relevância entre as diversas forças partidárias. A linguagem abrasiva, as acusações gratuitas e sem fundamento, ou os ataques pessoais entre dirigentes só servem para criar crispações que limitarão, no período pós-eleitoral, as necessárias aproximações entre partidos.
António Costa sabe muito bem que, sozinho o seu partido não conseguirá resolver os problemas que afligem o país. E sabe, igualmente, que o dinheiro não cai do céu, e a União Europeia não irá tornar-se numa espécie de Santa Casa da Misericórdia para os portugueses. Só mesmo com um grande consenso nacional e uma coligação alargada será possível ultrapassar a crise…

, ,