Sobre lealdade.

Podia até desenvolver a brilhante carreira de Daniele De Rossi, que há dois dias celebrou o seu trigésimo quinto aniversário, e que tocou no céu de Roma. De Rossi é “o exemplo” e já soma 17 épocas e 593 encontros ao serviço dos “giallorossi”.O médio italiano não vestiu mais nenhuma camisola durante toda a sua trajetória como futebolista. Este é um amor infinito e categórico por um clube, uma cidade e uma massa associativa. Mas, hoje, trago-lhe uma história diferente. De um desporto distinto. Mas com um sentimento similar.

Oscar Daniel Bezerra Schmidt, com mais de dois metros de altura, marcou uma geração no basquetebol brasileiro e, mais tarde, ultrapassou 30 sessões de radioterapia e 45 de quimioterapia, encestando, de uma vez por todas, um cancro no cérebro. Ele que jamais esquecerá aquilo que a sua esposa fez por ele. Numa orgulhosa referência à sua (grande) mulher, Oscar Schmidt revelou que Maria Cristina ficava a passar-lhe a bola até que os seus braços estivessem doridos, uma e outra vez. Durante uma semana. Um mês… Porque o verdadeiro amor é o melhor amigo do sucesso. E sucesso é muito mais do que um emprego de sonho.

Mas quem é Oscar Schmidt? O “Mão Santa”, como ficou conhecido, nasceu no dia 16 de fevereiro de 1958, na cidade de Natal, e foi um basquetebolista de eleição, marcando quase 8000 pontos pela sua seleção e passando por diversos clubes brasileiros, entre os quais se destacam o Palmeiras, o Corinthians e o Flamengo. Nota para o facto de Schmidt nunca ter colocado coisa alguma acima do seu país. Da sua pátria. Do seu hino. A lealdade pelas suas cores pesou mais do que o sonho de jogar na melhor liga de basquetebol do mundo. Nos Jogos Olímpicos de Los Angeles, em 1984, o atleta ficou a saber de que havia muito interesse por parte da NBA na sua contratação. Todavia, numa entrevista dada à imprensa, Oscar referiu que “sabia que não iria aceitar nada, porque naquela época tinha que abdicar da minha seleção, a regra era essa, e eu não tinha como lutar contra isso”. É verdade, Oscar Schmidt disse que não aos New Jersey Nets e, mesmo assim, ainda recentemente foi alvo de uma grande homenagem por parte do clube americano. “Dizem que fui um dos melhores da história, porque fui para o ‘Hall of Fame’ sem nunca ter jogado na NBA, isso é um orgulho danado [risos]”, as palavras de uma super estrela. Um autêntico vencedor que fala português. De realçar que o eterno Kobe Bryant é um grande fã de Schmidt. E isto não é um mero pormenor.

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