SONDAGENS PARA AS LEGISLATIVAS BARALHAM CONTAS DOS ANALISTAS

Por Manuel Teixeira

1 – A pouco mais de quatro meses das legislativas é cada vez mais notória a dificuldade dos analistas políticos perspectivarem uma antecipação do que poderão ser os resultados das próximas eleições. Analisando as projeções, parece definir-se uma tendência de empate técnico entre a coligação governamental PSD/CDS e o Partido Socialista. O que se esperaria, após quatro anos de severa austeridade, é que o PS estivesse largamente à frente nas intenções de voto.

Quatro factores concorrem para este adensar das dúvidas: 1 – a decisão do PSD e CDS concorrer em bloco; 2 – a divulgação do quadro macroeconómico em que o PS se baseou para fundamentar promessas eleitorais tidas por irrealistas; 3 – os indicadores de tendência do atual quadro económico, cujos dados favorecem o Governo; 4 – o falhanço de todas as sondagens nas eleições inglesas, de que saíram vencedores os conservadores no poder, agora com maioria absoluta.

2 – O facto do bloco governamental concorrer em coligação (PSD/CDS) não só influencia a dinâmica de votos, como potencia o número de deputados eleitos, pelo método de representação eleitoral proporcional. Dinâmica que é ainda favorecida por o PS se desdobrar em promessas que deixam o eleitor desconfiado: reduzir impostos, aumentar salários e pensões; voltar à semana das 35 horas na função pública; criar novos subsídios sociais de complemento salarial; parar com as privatizações dos transportes, etc, etc.

Paralelamente, os indicadores estatísticos do atual quadro económico confirmam que a trajetória da austeridade parece estar a dar os seus frutos quer no desempenho das empresas, nomeadamente nas exportações, quer na criação de emprego, consumo das famílias, redução do défice, e descida das taxas de juro. Finalmente, a lição dos ingleses nas últimas eleições tem também um efeito de contágio favorável à maioria governamental, já que deixou a família socialista em choque.

3 – A Espanha vai também brevemente a votos. Também aqui as sondagens apontam para empate técnico entre o Partido Popular, no poder, e o PSOE na oposição. Enquanto isto, os novos partidos radicais – o Podemos e o Cidadanos – estão em queda, favorecendo a consolidação da vantagem que o PP tem sobre o PSOE. Se o fenómeno inglês se confirmar em Espanha, ninguém duvida que também em Portugal a vida se tornará muito difícil para os socialistas.

A estratégia de Passos Coelho é fácil de perceber, e vai direta ao eleitor que não gosta de aventuras, que está cansado de avanços e recuos, que tem medo dos retrocessos, que abomina a incerteza e o experimentalismo político. Passos Coelho mostra-se seguro e sereno nas suas opções, recusando promessas irrealistas de maná, leite e mel… E os eleitores apreciam o estilo, ainda que cansados de tantos sacrifícios. Por isso, tudo está em aberto, tudo pode acontecer!

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