Sondagens põem à prova a alma social democrata

1 – Quase um ano após as eleições legislativas que deram a vitória à coligação PSD/CDS, mas sem maioria, começa a tornar-se claro que a estratégia da liderança social democrata não está a ter acolhimento no eleitorado. As sondagens mostram que se as eleições fossem hoje o PS obteria sozinho, na prática, uma votação próxima da que conquistou a coligação de centro direita, invertendo-se assim as posições do ano passado.

Ainda assim o PS continuaria longe da maioria absoluta, mas praticamente em condições de poder, em tese, fazer acordos de maioria parlamentar com qualquer um dos demais partidos, à sua esquerda ou à sua direita. Ora, um tal quadro viria colocar o PS no epicentro da governação, deixando todos partidos numa situação bem mais desconfortável do que hoje se encontram.

2 – António Costa sabe que tem tempos muito difíceis pela frente. Mas sabe também, como poucos, ler os sinais políticos e gerir as oportunidades. Não parece ter pressa em pôr à prova a sua legitimidade política, e muito menos a avaliação do seu desempenho governativo, pese embora todos os sinais amarelos que a conjuntura económica nacional, e os alertas internacionais lhe mostram incessantemente.

Ninguém ignora que os grandes indicadores macroeconómicos nacionais estão muito longe das metas que António Costa prometeu e esperava no corrente ano. E claro está que, quando estas coisas se repetem, todos os governos procuram justificações que atenuem a condenação ou a desilusão dos eleitores. A culpa nunca é de quem governa, mas de circunstâncias extraordinárias, dizem. O discurso é velho, gasto e regasto…

3 – Ora, se o desempenho macroeconómico nacional está longe do prometido e do que era esperado, podemos perguntar: porque é que o ainda maior partido, na oposição, não consegue capitalizar nas sondagens os falhanços governativos? Simplesmente porque a estratégia da liderança social democrata não cativa a confiança dos eleitores. Em suma, a maioria dos portugueses continua a não querer de volta ao poder o ex-primeiro-ministro Pedro Passos Coelho.

A alma profunda do PSD tem consciência que o atual líder do partido está esgotado, e que só por milagre voltará a ganhar as eleições em condições de formar governo. O PSD profundo quer uma mudança de líder, mas não vê, por enquanto, criadas as condições internas para fazer a rutura. Só mesmo se o líder abrir para si próprio a porta da saída… E como tal coisa parece muito longe, só o tempo poderá resolver a questão!

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