Tetra categórico num dia histórico

13 de maio de 2017, um dia para a história. Repleto de emoções fortes. O Papa Francisco visitou Portugal, o país que venceu, exatamente na mesma data, o Festival Eurovisão da Canção, pela voz de Salvador Sobral, cujo seu clube se sagrou tetracampeão, pela primeira vez desde a sua fundação. O SL Benfica ergueu, pela quarta vez consecutiva, a Taça de Campeão Nacional. Rui Vitória ainda não perdeu qualquer campeonato desde que chegou ao clube encarnado. A regularidade e a estabilidade são as pedras basilares na liderança do técnico português e as várias críticas nunca influenciaram a sua forma de pensar o próprio jogo. Como Salvador referiu (e bem!): “a música não é fogo de artifício, é sentimento, é paixão”. Assim como o futebol. E durante esta longa época desportiva fomos assistindo a demasiado fogo de artifício, empurrando o sentimento para trás da porta. O futebol é um jogo demasiado bonito para ser, semanalmente, manchado por alguns programas de televisão onde o diálogo é substituído por monólogos doentios e carentes de verdadeiro conteúdo. É hora de mudar de paradigma. Devemos, em conjunto, idealizar e propor algo novo e saudável para a próxima temporada. A tragédia não poderá mais assumir o papel mágico deste desporto.

Para finalizar, estou de volta ao capítulo do principado. É verdade, caros leitores. E mesmo sem a conquista do campeonato, eu voltaria, porque o futebol vale bem mais do que três pontos. Leonardo Jardim sagrou-se campeão francês pelo Mónaco, quebrando a hegemonia do Paris Saint-Germain. Transformou uma equipa recheada de desconhecidos numa das mais temidas do Mundo. Quando assim acontece e quando se aposta em miúdos e num simples ano eles se tornam internacionais, só podes sentir que o dever foi cumprido. Ainda mais quando consegues alcançar o tão ambicionado troféu, tendo sempre presente uma visão cada vez mais rara no mundo do desporto rei: o futebol positivo, dinâmico e de ataque. Ter a bola está no centro de tudo, porque é com ela que se faz a diferença. A procura constante de espaços, a verticalidade e a eficácia fizeram desta formação uma equipa campeã. O futebol francês ficou rendido, uma vez mais, ao nosso país e a este treinador lusitano, que deu uma verdadeira lição aos grandes tubarões que usam e abusam dos milhões para construir plantéis de luxo. Nem sempre o sucesso tem que ver diretamente com o capital de um clube. Muito talento e dedicação fizeram de Leonardo um campeão. Ao som do rock and roll de Mendy e Sidibé, o desabrochar de Bernardo Silva e Kylian Mbappé fizeram com que Radamel Falcao voltasse aos tempos de outrora, quando encantou o mundo do futebol na Constelação do Dragão.

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