Um olhar sobre o rio Tinto

No passado dia 29 de março, realizou-se uma Assembleia Municipal extraordinária para debater os problemas ambientais em Gondomar, para tal, foram convidados a Rede Ambiente, Águas de Gondomar e o Movimento em Defesa do Rio Tinto. Foi sem dúvida um momento importante, pois, permitiu aos eleitos da Assembleia Municipal, da Câmara e a todos os municípes presentes, ficar a conhecer um pouco melhor as causas dos problemas ambientais e as propostas para a sua resolução.
Ao longo dos últimos 20 anos, os responsáveis autárquicos viveram de costas voltadas para esta coisa do ambiente. São imensos os problemas, desde a recolha dos lixos passando pelas minas de S. Pedro da Cova, das nossas serras votadas ao abandono, bem como dos nossos rios, Ferreira, Sousa, Torto, e o rio Tinto.
O rio Tinto é de baixo caudal e apresenta uma extensão de pouco mais de 11 quilómetros. Serve mais de 50 mil habitantes, o que implica uma produção diária de sete milhões de litros de efluentes líquidos.
Foi para responder a tal elevada produção de efluentes domésticos, que surgiu a ETAR do Meiral. Esta ETAR possui atualmente uma capacidade de entrada de 700 m3/hora, mas, em períodos de chuva intensa chega a atingir um caudal de cerca de 2000 m3/hora, o que faz com que parte do seu efluente seja descarregado no rio, antes do devido tratamento.
Esta ETAR teve recentemente um investimento que rondou cerca de 4,5 milhões de euros por isso não podemos aceitar o argumento de que a empresa labora dentro da lei. A realidade é que sendo o rio Tinto de baixo caudal, não vai ter a capacidade de diluição e de depuração do efluente o que consequentemente irá destruir o rio por completo.
O Bloco de Esquerda exige a divulgação permanente dos resultados das análises periódicas acabando com este secretismo que tem existido. Sabemos que para além da problemática da ETAR do Meiral, são conhecidos outros focos de poluição desde a montante até à foz. Não podemos permitir a existência de emissários no próprio leito do rio que são sensíveis às intemperes e brotam esgoto frequentemente; as margens não podem continuar como depósitos de resíduos sólidos urbanos; entre outros, a defesa do rio e impõem que sejam tomadas medidas que visem a proteção do património histórico e ecológico que é de todos e de todas é, pois necessário, em cooperação com os municípios de Valongo e Porto atuar com a máxima brevidade.
Primeiramente é uma imposição retirar o efluente do rio Tinto, ou por descarga direta no rio Douro ou encaminhamento para a ETAR do Freixo, após tratamento secundário na ETAR do Meiral; posteriormente é necessária a realização de vistorias e manutenção dos emissários; limpeza das margens; acabar com as ligações ilegais e mistura de águas pluviais com residuais.
Para tal, a Câmara Municipal e a Águas de Gondomar têm de ter uma atitude diferente daquela que têm tido. Embora o rio não possa voltar ao seu estado inicial, podemos melhorar e muito a sua qualidade de modo a devolver o rio à população. O caminho está traçado e é longo, por isso, temos de começar já para desfrutar e deleitar do que este rio nos pode dar.

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