Uma questão de coerência

A desconfiança e o descrédito da população perante a política fazem hoje parte do quotidiano do sistema político nacional e internacional que é necessário combater, ainda mais quando assistimos a um distanciamento crescente das gerações mais jovens sobre este assunto.

São variadíssimos os motivos que nos conduziram a esta realidade, mas se tomarmos como exemplo o poder local podemos apontar como principal motivo para o descrédito uma razão essencial: a criação de expetativas/promessas no período pré-eleitoral que, ou não são reais/exequíveis ou pura e simplesmente após as eleições não são cumpridas.

É por isso que apesar de nem todos os políticos ou partidos políticos ou autarcas serem iguais é habitual ouvir-se na rua “os políticos são todos iguais”, “não vale a pena votar porque todos prometem e nenhum cumpre”, entre outras expressões.

É pois preciso combater esta desconfiança, cada vez mais enraizada na população, demonstrando que nem todos os partidos/projetos políticos/autarcas se apresentam a um ato eleitoral iludindo às populações com falsas promessas tendo como único objetivo conquistar o maior número de votos.

Para que isso aconteça, os agentes políticos precisam manter a coerência em relação ao seu discurso e às atitudes e posições que assumem. Infelizmente, o que parece óbvio não é assim tão claro.

Estas palavras vêm a propósito de algo que a mim (mas certamente a muita boa gente) me fizeram refletir sobre a tal coerência com que certas pessoas se apresentam aos gondomarenses. Falo concretamente de Sofia Martins que foi recentemente anunciada candidata do PS à presidência da Junta da União de Freguesias de Fânzeres e S. Pedro da Cova, sendo que é atual vereadora independente no executivo da Câmara Municipal do PS e que foi candidata nas listas do PSD à Câmara Municipal em 2013. Confuso não é? Apesar de parecer não o é porque, como dizia, tudo se resume a uma questão de coerência na política. Atenção, não coloco em causa nem pretendo discutir a mudança de partido, no entanto, o que eu acho ser completamente incoerente é ser-se candidato do PS, e continuar a ser-se vereador independente num executivo do PS. Faz algum sentido? Faz algum sentido que no último boletim municipal Sofia Martins escreva na coluna destinada à “Voz da Oposição”? Mas qual oposição? Mas alguém acredita que quem já é candidato do PS faça oposição ao PS?

Este é para mim um dos exemplos que conduzem a que muita gente, e sobretudo as gerações mais jovens, se distanciem das decisões políticas porque não se reveem neste jogo de vale tudo, num jogo que muitos políticos decidem jogar para poderem concretizar unicamente as suas aspirações pessoais.

Eu acredito num concelho em que possa prevalecer a coerência e no qual a população saiba reconhecer em quem pôde e pode sempre confiar.

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