Urgências dos hospitais, em crise ???

Têm surgido notícias alarmantes, nos jornais e canais televisivos, que tentam demonstrar que as Urgências dos nossos hospitais estão em rotura por sobrelotação de doentes que aí têm recorrido. Será a realidade? Sabemos que nesta época do ano, com o aparecimento das primeiras gripes, provocadas por alterações climatéricas e descida da temperatura ambiente, o número de doentes aumenta de forma marcada levando a um congestionamento das urgências. O problema não é novo, e todos os anos se repete, no entanto, esses serviços de urgência conseguem ultrapassar estas fases, de forma mais ou menos correta. O problema está muitas vezes na eficácia da resposta dos cuidados primários, essa sim deve ser a melhor possível, para minorar o congestionamento das urgências. Tratando-se em regra de doenças gripais, fáceis de diagnosticar e sem necessidade de grandes intervenções médicas, apesar do número de doentes ser grande, os serviços de urgência conseguem resolver em tempo útil, todos os casos clínicos, mas certamente, com diminuição da qualidade da assistência dos verdadeiros casos clínicos graves. No entanto, seria uma situação a evitar, melhorando a resposta dos serviços clínicos de assistência primária. É a resposta do médico assistente que deve ser melhorada, diminuindo a necessidade do doente recorrer diretamente às urgências hospitalares. Numa estatística apresentada por um dos hospitais da cidade do Porto, mais de 40% dos doentes que recorreram, nos últimos tempos às urgências, não tinham critérios médicos para o fazer, ou seja, não tinham situação clínica que justificasse a sua ida ao serviço de urgência. Por outro lado, se as pessoas o fizeram é porque não tiveram uma alternativa ou opção que evitasse a sua ida ao serviço de urgência, com todos os inconvenientes que isso acarreta para todos, não só, na qualidade organizacional, como também nos custos económicos que ao estado acarreta. E o estado, quer queiram quer não, somos todos nós, ou seja, acabamos todos por pagar, direta ou indiretamente. Os cuidados primários esses sim, devem ser mais apoiados, por serem mais úteis e diminuírem o número de doentes que necessitam de ir as urgências, essas mais preparadas para os casos emergentes, especializados em patologias graves e com necessidade de intervenção rápida e por vezes complexa. Temos de modificar os nossos hábitos para o bem de todos.
Amanha quando um familiar meu, um amigo, ou mesmo um concidadão precisar de recorrer a uma urgência com um enfarte do coração, acidente vascular cerebral ou mesmo um traumatismo grave, gostaríamos todos que fosse assistido o mais rápido possível e o melhor possível, pois disso pode depender, entre a vida… ou a morte.
Até breve, estimados leitores…

,