Urgências dos Hospitais, estarão em dificuldade?

Tem sido um tema da atualidade, sobre o qual temos necessidade de refletir. Têm vindo a público vários casos denunciados pela comunicação social, com mais ou menos impacto na opinião pública, alguns provavelmente com exagero no relato dos acontecimentos. Principalmente casos de morte nas urgências, sem adequado atendimento, ou atendimento atrasado, o qual originaria a morte de alguns utentes. Estes casos mais mediáticos, tem muitas vezes de ser analisados. Lembro que se existe um local com mais probabilidade de acontecer a morte é precisamente na urgência de um hospital e não necessariamente por mau atendimento, mas precisamente porque é o local a que doentes em perigo de vida recorrem e onde diariamente se tratam casos terminais, ou por acidentes, ou por doenças, numa tentativa de tratar doentes, muitos deles de risco. Ou seja, deveria ser assim, pois as estatísticas são falseadas pela grande quantidade de utentes que recorrem sem motivo urgente a um serviço de urgência. Claro está que a culpa não é só destes, pois o sistema não está agilizado o suficiente para dar resposta em tempo útil a uma situação patológica que, não sendo uma doença terminal, ou de risco, é sem dúvida altamente incapacitante. O que não falta entre nós é quem diga mal, ou quem identifique os problemas, disso temos muitos, o que falta é quem dê a solução ou aponte caminhos para a resolução dos problemas. Aí reside a crise da política e da sociedade do nosso país. Se é por falta de políticos capazes ou por outro motivo, não sabemos, mas o certo é que o sistema é frágil, bastando uma época de maior afluência aos serviços existentes, para que os mesmos entrem em colapso. Então como resolver? A solução passará essencialmente pelo aproveitamento de todas as estruturas de saúde existentes, quer públicas, quer privadas, de forma concorrencial e agilizando o atendimento, fazendo depender a contribuição económica da eficácia e qualidade do atendimento. Como forma de provar a eficácia deste sistema, vejam o que se passa com os beneficiários da ADSE, que têm liberdade de escolher aquilo que acham melhor, seja privado, público ou outro, sem que para isso o estado tenha de despender mais recursos económicos. Para isso é preciso uma visão real do sistema e, sem hipocrisia ou falsas modéstias, fazer uma verdadeira reforma na saúde. Sim, é esse o grande problema do país em particular na saúde, a falta de reformas políticas que imprimam uma eficácia e qualidade da vida das pessoas. Não culpem só o ministro A ou B, o Hospital X ou Y, pois enquanto não houver alguém de coragem e visão, continuaremos com os mesmos problemas.
Até breve…

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