Vaidades

Todos temos percebido no PS uma postura segura, confiante, vaidosa até.
Todos lhe notamos uma acintosa certeza de que governará a nação após as próximas eleições legislativas de setembro/outubro.
Efetivamente muito poucos são os portugueses que não tenham sentido “na pele” o árduo impacto da ação do atual governo, ação essa que lhes têm incutido a noção de que a vida hoje é, de facto, bem mais difícil que há quatro anos atrás, tendo o Partido Socialista atraído o apoio de muito do descontentamento de tantos destes cidadãos.
E a verdade é que, para que isso aconteça, pouco, ou muito pouco tem o PS tido que fazer, tendo-lhe bastado criticar aquilo que o governo tem feito de menos bem e abstido de se pronunciar sobre o que o governo tem feito de mais positivo, porque objetivamente não tem o PS apresentado qualquer opção alternativa concreta ao percurso restritivo do governo.
Por assim ser, por se encontrar neste estado interior de exaltação, o PS recusa-se a, desde já, acertar compromissos em matérias estruturantes com os partidos da maioria, remetendo tal inelutabilidade para o período pós-eleitoral. Talvez espere o PS ao relegar a potenciação destes compromissos para o início da sua esperada governação, ganhar espaço de manobra para o percurso do seu mandato, beneficiando assim da responsabilidade dos partidos da atual maioria, responsabilidade que não teve nem na coragem nem no patriotismo, durante o presente mandato.
Importa contudo aqui cogitar sobre tamanha expectativa do PS.
Porque se resulta natural beneficiar o PS do descontentamento dos portugueses para com a ação governativa, não seria igualmente natural que esse benefício fosse já hoje assaz bem mais largo e inequívoco?
Não deveria já o PS, a oito, nove meses das eleições, ter apresentado um rumo objetivo, um programa estudado e específico para o país?
Não deveria já o PS ter genuinamente convencido os portugueses (ou importante parte deles) da valia das suas propostas, apresentando-se como real e convincente alternativa à austera política da atual maioria, e não se limitar a acumular descontentamentos sempre volúveis, sempre duvidosos?
A atual diferença na tendência das sondagens eleitorais conhecidas entre PS e partidos da maioria, não se aproxima sequer de valores satisfatórios para os Socialistas, permitindo que o elan positivo da economia e uma campanha agressiva e emocional daqueles, tornem mais que imaginável uma luta ombro a ombro entre ambos, com absoluta imprevisibilidade de quem possa vir a ser governo.
Esta confiança que o PS tem transmitido e esta vaidade ostentada parece-nos pois, ter “sapatas” de barro, quebráveis ao primeiro impacto, pelo que ou o PS arrepia caminho e apresenta rapidamente “trabalho-de-casa”, ou vai perder uma histórica oportunidade de governar o país nos próximos quatro anos.

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