Vamos pagar juros de 4,2%, os mais altos desde a saída da Troika

Na semana passada, soubemos que o Estado, ou seja, que todos nós vamos ter que pagar juros de 4,2% por um empréstimo de 3.000 milhões de euros a 10 anos.

É o custo de financiamento mais elevado que Portugal pagará desde fevereiro de 2014, quando ainda tínhamos cá a troika. É um sinal que não pode passar ao lado até dos que mais vontade tenham de meter a cabeça na areia.

Nesta matéria, como sempre, o Governo ocupa-se mais a tentar encontrar formas de comunicação do que propriamente a resolver o problema. Quando lhe parece que há ou pode haver boas notícias, então é porque as instituições internacionais, os mercados ou os investidores confiam nas políticas do Governo e estão a levar em conta a realidade económica do país. Quando os juros sobem, então a responsabilidade é da conjuntura internacional.

É uma estranha versão de fatalismo financeiro, que olha para Portugal como um país absolutamente impotente perante os azares ou sorte do mercado, e que nada pode fazer a não ser continuar a endividar-se um pouco mais todos anos.

Não seria no mínimo razoável debater este assunto com o pressuposto de que, sim, o que se está a passar no resto do Mundo e, sobretudo, na zona euro, tem impacto nas condições em que Portugal se financia, como tem obviamente também a atuação do Governo e o rumo que o país toma em cada momento?

As discussões sobre dívida, taxas de juro e custos são frequentemente ininteligíveis e deixam muitas vezes permanecer a ideia de que estes assuntos não têm nenhuma importância ou nenhum efeito na vida concreta dos portugueses.

Isto não podia ser menos verdadeiro. Logo à partida, porque a dívida que fazemos hoje tem um impacto muito concreto na despesa com juros, logo, nos impostos que pagamos hoje. Mas também porque ela determina os impostos que vamos pagar no futuro. Não apenas nós, mas também os nossos filhos e os nossos netos.
Desde que esta nova maioria chegou ao poder, a dívida pública bruta cresceu mais de 10.000 milhões de euros, e passou de 129% do PIB para 133%.

Os juros que vamos pagar por esta última emissão de dívida, por exemplo, até podem parecer um problema muito financeiro ou muito técnico, mas estamos a falar de mais de 120 milhões de euros por ano. Dá para pagar mais de metade da redução da sobretaxa e mais de dois terços da atualização das pensões.

Portugal é dos países com taxas de juro mais altas da Europa e daqueles em que as taxas de juro mais têm subido. É tempo de PS, BE e PCP passarem a ser responsáveis e começarem, pelo menos, a tentar resolver o problema ao invés de o agravarem.

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