O rio Tinto

O nosso rio Tinto será em menos de um ano aquilo que era há quase meio século: um rio limpo e despoluído, a correr entre Ermesinde (onde nasce) e o rio Douro (onde desagua), cujas águas e margens poderão ser novamente usufruídas pelas suas populações. O rio que dá nome a uma freguesia, que ao longo destes anos foi desprezado, maltratado, desviado e entubado, deixará de ser uma longínqua recordação para passar a unir o centro de Rio Tinto ao rio Douro até ao Freixo, atravessando o parque Oriental do Porto e permitindo ligar quer ao percurso do Polis de Gondomar, quer à marginal do Porto.

Em causa está o projeto no âmbito do Programa Operacional de Sustentabilidade e Eficiência no Uso de Recursos, no âmbito da operacionalização da Estratégia Portugal 2020, que vai permitir a execução do intercetor a partir da descarga da ETAR de Rio Tinto até à ETAR do Freixo, implantado nos concelhos de Gondomar e do Porto, bem como instalação de equipamentos de monitorização do caudal e qualidade do efluente. Inclui os trabalhos para a reunião das duas descargas na ETAR do Freixo e ligação à câmara de reunião das descargas, a alteração do trecho final das águas pluviais na ETAR do Freixo (que atualmente liga ao bypass do tratamento primário da estação de tratamento) para ligação ao rio Tinto, a execução do intercetor a partir da reunião das descargas das ETAR de Rio Tinto e do Freixo e descarga final do efluente tratado no rio Douro, bem como a reabilitação do intercetor existente entre a rotunda do centro de saúde de Rio Tinto e a ETAR de Rio Tinto.

É evidente que, para nós gondomarenses, esta obra é de importância extrema para o bem estar e desenvolvimento do nosso concelho, mas não podemos deixar de referir também a sua importância para o Porto, que nas palavras do seu presidente Rui Moreira representa uma enorme oportunidade de desenvolvimento, qualidade e investimento, resultando na duplicação da área do Parque Oriental da Cidade, passando dos atuais nove hectares para 20 hectares e do desenvolvimento de Campanhã, uma freguesia na qual foram “definidas duas áreas de reabilitação distintas” e para onde estão projetadas “obras estruturantes como o matadouro e o terminal intermodal.

A grande obra intermunicipal do intercetor do Rio Tinto corre dentro do previsto, e soube-se este mês, na visita do ministro do Ambiente, Matos Fernandes, que poderá estar concluída já em maio de 2019, num compromisso deste executivo da Câmara Municipal de Gondomar, da Câmara do Porto e deste Governo, que nos esforços unidos souberam elevar aquilo que é mais importante: o bem estar das populações e o desenvolvimento dos seus concelhos.

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